Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

Último filme da saga "Jogos Vorazes" não empolga como os anteriores

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19 de novembro de 2015

Alguns fãs saíram decepcionados da sala do cinema ano passado após assistir a “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte I”, primeira parte da adaptação do livro “A Esperança”, de Suzanne Collins, por conta do ritmo mais lento e da falta de cenas de ação, decorrentes do viés político e midiático do longa. É grande a possibilidade de acontecer o mesmo com “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final”, a segunda e última parte, embora por outras razões. O terceiro filme consecutivo da saga dirigido por Francis Lawrence não é tão satisfatório quanto os que o antecederam, a começar pelo fato de que não cumpre a promessa de compensar o filme anterior com muitas cenas de ação advindas da explosão da guerra. Há também o desperdício de personagens, como Primrose (Willow Shields), que ganhou até um trailer especial, mas quase não aparece na tela nem contracena com a irmã Katniss, e Finnick Odair (Sam Claflin), que teve sua importância na trama diminuída. Além disso, o longa, mais uma vez escrito por Suzanne Collins, Peter Craig e Danny Strong, é bastante previsível e deixa a sensação de que certas etapas foram puladas devido à rapidez com que os eventos ocorrem sem sequer dar tempo para o espectador assimilar direito o que aconteceu antes.

A divisão em duas partes da conclusão da história claramente privilegiou a primeira. Ainda assim, há muitos pontos positivos em “The Hunger Games: Mockingjay – Part 2” (no original), como o conteúdo político e as cenas da conversa entre Katniss e Snow na estufa e da decisão mais importante de Katniss após o fim da guerra, que mudou definitivamente o destino de Panem e o seu próprio. A sequência em que o grupo do Distrito 13 enfrenta as armadilhas da Capital também merece destaque pela direção e qualidade técnica, ao contrário da sequência subterrânea mal conduzida por Lawrence em que bestiantes, estranhas criaturas controladas pela Capital que são uma mistura de zumbi com ET, perseguem os heróis rebeldes. O desfecho da saga, apesar de meloso e melodramático, é coerente e deve agradar aos fãs literários.

Na trama, a guerra de Panem atinge enormes proporções e Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) lidera um grupo do Distrito 13, formado por Cressida (Natalie Dormer), Gale (Liam Hemsworth), Finnick (Sam Claflin), Peeta (Josh Hutcherson) e outros, que tenta reunir um exército contra o Presidente Snow (Donald Sutherland). Antes relutante, Katniss finalmente aceita seu papel como líder da rebelião e tem que lidar com complicadas escolhas morais, enquanto arrisca sua vida e a dos companheiros numa missão que se torna uma nova versão dos Jogos Vorazes – fora da Arena e ainda mais impiedosa. É através da protagonista que há a contestação de tudo o que é válido numa guerra e a quebra do conceito político de esquerda e direita (ou “bem” e “mal”), já iniciada em “A Esperança – Parte I”. O que temos aqui é a direita (representada por Snow) que mostra do que é capaz e se assume como “má”, e a esquerda (representada por Coin) que, sob uma máscara de bondade e justiça, mostra a que veio fazendo igual e até pior do que a direita – é o poder levando à tirania. Dessa maneira, “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” nos convida à reflexão sobre o momento político que estamos vivendo no Brasil e ao questionamento: devemos realmente nos virar uns contra os outros para defender políticos que só querem nos manipular?

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (The Hunger Games: Mockingjay – Part 2)

EUA – 2015. 137 minutos.

Direção: Francis Lawrence

Com: Jennifer Lawrence, Liam Hemsworth, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Sam Claflin, Jena Malone e Woody Harrelson.


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