‘John Wick – Um Novo Dia Para Matar’

Protagonizado por Keanu Reeves, longa é uma das estreias desta quinta-feira, dia 16.

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15 de fevereiro de 2017

Em 2014, Keanu Reeves invadiu as telas de cinema como um homem temido por muitos devido à sua antiga parceria com a máfia em “De Volta ao Jogo” (John Wick – 2014). Aposentado e viúvo, John Wick parte rumo a uma jornada sangrenta para vingar a morte de seu cachorro, presente da falecida esposa e seu único alento em meio à dor. Nesta quinta-feira, dia 16, sua continuação invade as salas brasileiras partindo da premissa de que deixar o passado para trás é uma missão impossível, que bate à sua porta em forma de promissória enviada pela Camorra.

Este é o primeiro trabalho de Keanu Reeves e Laurence Fishburne desde a trilogia “Matrix” (Foto: Divulgação).

Este é o primeiro trabalho de Keanu Reeves e Laurence Fishburne desde a trilogia “Matrix” (Foto: Divulgação).

“John Wick – Um Novo Dia Para Matar” (John Wick: Chapter Two – 2017) é esteticamente elegante e aposta todas as suas fichas na ação desenfreada, coreografada com esmero e, por vezes, seguindo uma estrutura muito próxima à de videogames. Com isso, o sangue jorra da tela através de sequências que não poupam o espectador da violência gráfica, neste caso, necessária para apoiar sua trama vazia.

Neste contexto, há de se destacar duas sequências que exprimem muito bem a irregularidade deste longa. A primeira, ambientada num túnel de Roma e conduzida com bastante competência pelo diretor Chad Stahelski, que trabalhou como dublê na trilogia “Matrix”, é de tirar o fôlego e a mais interessante desta obra. Contudo, se a sequência em Roma é de tirar o fôlego, a de Nova York numa sala de espelhos é de dar sono por sua falta de originalidade e, principalmente, por sua obviedade que eleva o clichê à potência máxima.

O italiano Riccardo Scamarcio interpreta Santino D'Antonio, vilão mal construído e caricato (Foto: Divulgação).

O italiano Riccardo Scamarcio interpreta Santino D’Antonio, vilão mal construído e caricato (Foto: Divulgação).

Assim como tantos outros filmes do gênero, “John Wick – Um Novo Dia Para Matar” peca pelo roteiro desprovido de conteúdo suficiente para sustenta-lo por duas horas de duração. Para piorar a situação, há neste longa a presunção de conceder profundidade não apenas à sua trama, mas também ao protagonista atormentado pelas lembranças de outrora e em busca de uma vida pacífica ao lado de seu pit-bull. O mesmo acontece em relação ao vilão, Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio), extremamente mal construído, caricato e de objetivos previsíveis.

Assinado por Derek Kolstad, o roteiro falho, alicerçado, sobretudo, na trama do filme original, acaba por deixar o elenco numa situação embaraçosa, obrigando-o a lutar para evitar que o longa se torne um desastre cinematográfico completo. Mesmo assim, não há nenhuma atuação memorável, restando apenas a boa interação entre Keanu Reeves, Common (Cassian) e Laurence Fishburne (Bowery King) – este último, antigo parceiro de Reeves na já citada trilogia “Matrix”.

“John Wick – Um Novo Dia Para Matar” é uma produção inerente à faixa “Domingo Maior”, que oferece ao telespectador produções eletrizantes na forma, mas vazias no conteúdo, estreladas por astros que em algum momento de sua carreira pertenceram ao panteão hollywoodiano e geraram muito lucro à indústria.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 2