Joy: O Nome do Sucesso

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21 de janeiro de 2016

Jennifer Lawrence ― linda, loira e jovem com seus 25 anos ― mais uma vez tem lugar marcado na temporada de premiações graças a David O. Russell. De ninfomaníaca bonificada com a estatueta dourada do Oscar, em 2013, no filme “O Lado Bom da Vida” (2012), passando pela sensualidade de sua desequilibrada personagem em “Trapaça” (2013), Lawrence ataca agora de mulher coragem em uma trama, inspirada em fatos reais, que muito tem a colaborar com as reflexões em torno do protagonismo feminino. Em “Joy: O Nome do Sucesso”, mais novo filme de David O. Russell, Lawrence torna-se o centro das atenções ao interpretar a mulher do título, norte-americana que começou uma exitosa carreira empreendedora a partir da invenção de um esfregão diferente dos demais disponíveis ― o produto, com a promessa de facilitar a vida das donas de casa, tornou-se fenômeno de vendas enchendo de grana o bolso vazio de Joy. Pela atuação, Lawrence já faturou um prêmio na recente edição do Globo de Ouro, mas quando o assunto é o Oscar, o cenário muda de figura. Na concorrência com a moça, posicionam-se nomes de peso como Cate Blanchett (“Carol”) e Charlotte Rampling (“45 Anos”), além de boas promessas, em tenra idade como ela, nos nomes de Brie Larson (“O Quarto de Jack”) e Saoirse Ronan (“Brooklyn”).

Lançado nos Estados Unidos no embalo natalino, “Joy” possui predicados que justificam o lançamento na data marcada pela esperança: um roteiro que, na árdua batalha da personagem principal, esbanja resiliência antes da certeza de que dias melhores virão. Nas dificuldades de Joy, com divórcio e filhos na trajetória, David O. Russell injeta boas doses de comédia. O seio familiar desajustado é prova cabal da tendência hilariante do filme. São dignos de destaque o pai, a avó e o ex-marido de Joy, interpretados respectivamente por Robert De Niro, Diane Ladd e Édgar Ramírez. Quando a perspectiva torna-se mais sombria e o foco muda para a derrocada da protagonista, nota-se que a casa abarrotada de gente é a “Caverna de Platão” da qual Joy não consegue sair. A televisão sempre sintonizada em uma novela pra lá de caricata, diante da espectadora em voluntário estado vegetativo, mãe de Joy, reforça a metáfora. Ainda que o filme parta de um princípio particular, o fardo de Joy, que consiste no desempenho de várias funções ao mesmo tempo, é uma condição cada vez mais comum em mulheres da atual sociedade impositiva. Casamentos fracassam (a instituição mostra-se destituída do príncipe encantado), os filhos crescem, as contas e as despesas continuam a chegar e, principalmente, o tempo passa. Sob tantas obrigações, não há liberdade que dure. Ciente disso, da anulação pessoal cada vez mais insustentável, Joy estimula o talento adormecido de inventora, qualidade que sempre a diferenciou dos outros. O segredo está aí: largar a trivialidade em busca da diferença. Com papel e giz de cera, ela começa a esboçar a invenção crucial ― o citado esfregão.

Com narrativa que abusa dos altos e baixos da trajetória do herói, clássica e agradável, a precisa direção de elenco de David O. Russell chega ao auge com a aparição de Bradley Cooper ― compondo a tríade de atores preferida do cineasta, composta por Cooper, De Niro e Lawrence ― na pele de um executivo do rentabilíssimo canal de vendas ao qual Joy recorre. Jennifer Lawrence, novinha em folha, amadurece diante da lente, com força suficiente para arcar com a responsabilidade de carregar nas costas o filme que leva o nome de sua personagem. Em uma cena peculiar, o cineasta mostra que não está de brincadeira quanto ao tema da ascensão feminina. Na ocasião, a personagem principal, já moldada pela autonomia adquirida, aperta o gatilho da palavra em um duelo com um homem que lhe passou a perna, sujeito com roupagem típica dos machos texanos, com jeitão western de ser. O detalhe que interessa aqui? A clara fraqueza do trapaceiro diante da convicção da adversária, a ponto de fazer John Wayne corar de vergonha.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 5