Kubo e as Cordas Mágicas

Nadando contra a correnteza, em um mercado dominado por filmes infantis que visam o lucro enquanto oferecem apenas entretenimento, a Laika Entertainment procura oferecer algo diferente.

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14 de outubro de 2016

Nadando contra a correnteza, em um mercado dominado por filmes infantis que visam o lucro enquanto oferecem apenas entretenimento, a Laika Entertainment procura oferecer algo diferente. Apesar de relativamente nova, a Laika vem se firmando como um bastião de antigas tradições na arte de contar histórias infantis. Tanto pelo seu conteúdo quanto pela sua técnica.

2100.0400.still.laika.0004_R Monkey (voiced by Academy Award winner Charlize Theron) finds herself struggling against the grip of the Giant Skeleton to protect Kubo in animation studio LAIKA’s epic action-adventure KUBO AND THE TWO STRINGS, a Focus Features release. Credit: Laika Studios/Focus Features

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Monkey (voiced by Academy Award winner Charlize Theron) finds herself struggling against the grip of the Giant Skeleton to protect Kubo in animation studio LAIKA’s epic action-adventure KUBO AND THE TWO STRINGS, a Focus Features release.
Credit: Laika Studios/Focus Features

Um dos poucos estúdios a usar a técnica de stop-motion em larga escala em seus longa-metragens, Laika demorou 5 anos para concluir Kubo e a Espada Mágica – considerado pelo próprio estúdio como o primeiro épico feito com a técnica.

O filme conta a história de Kubo, um jovem que vive escondido com a mãe em uma cidade litorânea do Japão. Perseguido por seu avô e suas tias, ele se vê obrigado a partir em uma jornada para reunir as partes da armadura de seu falecido pai.

O próprio MacGuffin do filme –  a busca pelas peças da armadura de seu pai – tem um valor simbólico. Trata-se, no fundo, da história de um garoto que tenta reconstruir a imagem de seu pai perdido no passado e vestir-se dessa figura paterna. Somente quando ele estiver pronto para assumir o lugar de seu pai é que ele estará pronto para superar os obstáculos de sua aventura.

Kubo, assim como sua mãe, é capaz de criar origamis e mover objetos tocando um shamisen – um instrumento musical japonês com três cordas semelhante a um banjo. O próprio título original que seria, em uma tradução livre, Kubo e as duas cordas, trás a mensagem do filme. Kubo, seu pai e sua mãe formariam uma família, cada um representado por uma das cordas do instrumento mágico. Com isso em mente, fica mais fácil de entendermos o título original. Se Kubo é uma das cordas, ele só precisa de mais duas cordas para completar seu shamisen.

Sob esse aspecto, o título do filme em português perde muito em simbolismo se comparado ao título original – embora talvez tenha um apelo maior para chamar o público infantil para o cinema.

Tecnicamente impecável, com uma história simples, animada, com diversos momentos de humor e capaz de divertir as crianças, o filme tem camadas profundas em sua história e uma jornada repleta de simbolismo. Um filme que merece ser visto mais de uma vez.

 

Festival do Rio 2016 – Panorama do Cinema Mundial

Estados Unidos, 2016. 101 min

De Travis Knight

Com (vozes) Matthew McConaughey, Charlize Theron, Rooney Mara

 

Avaliação Gabriel Gaspar

Nota 5