Kubo e as Cordas Mágicas

Animação é mais um show visual de stop-motion com tom sombrio do Estúdio Laika

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09 de outubro de 2016

“Kubo e as Cordas Mágicas” é a nova aposta do estúdio de animação Laika, responsável por “ParaNorman” e “Os Boxtrolls”. Na trama, Kubo (Art Parkinson, de “Game of Thrones”) é um menino de um olho só que cuida da mãe e ganha a vida contando histórias com origamis que se movem para as pessoas na praça de sua pequena cidade, localizada num Japão fantástico do século XVII. Sua rotina é quebrada quando, acidentalmente, ele invoca espíritos de sua família que descem dos céus em busca de vingança – e do olho que restou. Agora Kubo precisa fugir do Rei Lua (Ralph Fiennes) e das Irmãs Gêmeas (Rooney Mara), enquanto procura pela única coisa que pode protegê-lo de seus inimigos: a armadura de seu falecido pai, o maior guerreiro samurai que já existiu. Para tal, ele conta com a proteção da Macaca (Charlize Theron) e do Besouro (Matthew McConaughey), além do poder de seu instrumento musical mágico, o shamisen.

Com belíssimos efeitos especiais que somente um stop-motion muito bem feito pode proporcionar, “Kubo and the Two Strings” (no original) é uma animação cheia de ação e aventura que possui elementos tanto para as crianças quanto para os adultos. Seu estilo mais sombrio, como em todos os longas-metragens do Estúdio Laika (em especial, “Coraline e o Mundo Secreto”), é ousado para uma animação inicialmente voltada para os pequenos, e a riqueza de detalhes do stop-motion em cores vibrantes é o destaque do filme.

O roteiro escrito por Marc Haimes, Chris Butler e Shannon Tindle é redondo, porém bate nas mesmas teclas dos longas antecessores do Laika: união da família, amor, amizade, bondade, confiança e perdão. O diferencial fica por conta do grande poder que as lembranças possuem e como, em certos casos, pode ser bom deixá-las para trás, o que lembra dois feitiços bastante conhecidos dos fãs da saga “Harry Potter”. Há dois momentos de virada na trama em que Kubo descobre antigos segredos obscuros de família e sobre sua origem que tornam toda a história mais emocionante e a fazem ganha um novo sentido. A estreia de Travis Knight, produtor e CEO do Estúdio Laika, como diretor foi muito bem-sucedida.

Festival do Rio 2016 – Panorama do Cinema Mundial

Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings)

EUA – 2016. 101 minutos.

Direção: Travis Knight

Com: Art Parkinson, Charlize Theron, Matthew McConaughey, Ralph Fiennes, Rooney Mara, George Takei e Brenda Vaccaro.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4