Labirinto de Mentiras

Representante da Alemanha na corrida do Oscar revive primeira investigação de crimes nazistas

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18 de dezembro de 2015

A Segunda Guerra Mundial e o nazismo são temas que já foram retratados à exaustão pelo cinema, e parece que o estoque de novos ângulos destes capítulos de horror da História continua inesgotável. Escrito por Giulio Ricciarelli (que também o dirige) e Elisabeth Bartel, “Labirinto de Mentiras” baseia-se no percurso real do Procurador-geral Fritz Bauer, interpretado pelo ator Gert Voss (falecido em julho do ano passado e a quem o filme é dedicado), pela caça e julgamento de criminosos nazistas. A trama gira em torno do procurador Johann Radmann (Alexander Fehling), que, em 1958, inicia uma árdua investigação, com apoio de Bauer, de crimes nazistas ocorridos durante a Segunda Guerra que podem incriminar altos funcionários do governo. A pressão para abandonar a investigação é forte, mas o jovem procurador está disposto a tudo para tirar a poeira varrida para debaixo do tapete pelos alemães durante anos.

Filme que representa a Alemanha na corrida do Oscar, “Im Labyrinth des Schweigens” (no original) possui uma estrutura típica de longas norte-americanos do gênero, o que faz com que não seja tecnicamente extraordinário, mas se sustente muito bem pelo conteúdo histórico interessante que cutuca a ferida mais profunda do país até hoje. Com alguns fatos inventados misturados aos reais, o filme de estreia de Ricciarelli traz um romance entre Johann e Marlene Wondrak (Friederike Becht), uma bela jovem com talentos modistas, que se desenvolve junto com a investigação e a busca obsessiva do rapaz por justiça – principalmente pelo médico Josef Mengele, o “Anjo da Morte”, retratado no longa “O Médico Alemão” –, que acaba por descobrir que nenhum alemão está livre de carregar o peso do nazismo à medida que cava provas em pilhas intermináveis de papéis e pesados depoimentos de sobreviventes.

Ainda que haja certa dose de melodrama em algumas cenas, o longa alcançou um resultado bastante satisfatório. “Labirinto de Mentiras” ilustra um momento histórico – alemães sentenciando alemães no primeiro julgamento de Auschwitz – com um enredo bem construído, boas interpretações do elenco e, por isso, é uma produção convincente que prende a atenção do espectador. Mesmo com alguns defeitos, uma herança densa como esta, que será eternamente carregada pela Alemanha, merecia e precisava ser representada no cinema.

Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens)

Alemanha – 2014. 123 minutos.

Direção: Giulio Ricciarelli

Com: Alexander Fehling, André Szymanski, Gert Voss, Friederike Becht e Johannes Krisch.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4