Lady Bird – A Hora de Voar

Com 5 indicações ao Oscar, novo filme escrito e dirigido por Greta Gerwig versa sobre o amadurecimento de uma adolescente de forma leve e despretenciosa

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15 de fevereiro de 2018

Nove anos depois de dividir a direção com Joe Swanberg em “Nights and Weekends”, eis que a atriz e roteirista Greta Gerwig finalmente alça voo solo como diretora e roteirista em seu longa-metragem de estreia “Lady Bird – A Hora de Voar”, um coming of age que parece ser a sua autobiografia e um prequel de “Frances Ha”, filme que a apresentou ao mundo. A trama se passa em 2002 na cidade de Sacramento, na Califórnia, não coincidentemente cidade natal de Gerwig. Christine McPherson (Saoirse Ronan, de “Brooklyn” e “O Grande Hotel Budapeste”) é uma típica garota de 17 anos que se autodenomina Lady Bird e cursa o último ano numa escola católica. Em dúvida do que fazer depois que se formar, ela só sabe que não quer continuar a viver ali, onde tem uma complicada relação com a mãe controladora (Laurie Metcalf), que é enfermeira e faz jornada dupla para compensar o desemprego do pai (Tracy Letts), com quem mantém uma ótima relação. Problemas e questões típicas da adolescência vão surgindo pelo caminho de Lady Bird, deixando-a cada vez mais perdida.

Poderia ser apenas mais um filme sobre ensino médio nos Estados Unidos, porém a escolha de Gerwig por uma dramédia despretensiosa – que segue o seu já conhecido estilo de “Frances Ha” (2012) e “Mistress America” (2015), que roteirizou ao lado do namorado Noah Baumbach – com diálogos e interpretações naturais e espontâneas, acaba gerando uma maior identificação por parte do público, embora o humor sutil empregado talvez não seja do tipo que anime a massa. O grande mérito de “Lady Bird” (no original) está em não se apoiar em estereótipos, mesmo que haja alguns como a amiga gordinha (Beanie Feldstein), a patricinha nojenta e o interesse amoroso que não é o que se pensava. Todas as situações são muito reais, principalmente os problemas familiares, cujo foco é a difícil relação da menina com a mãe, que acaba se sobressaindo a todo o resto da trama.

Lady Bird não é popular, tem a rebeldia típica de sua idade, experimenta novas sensações, novas dúvidas, novas responsabilidades e novas desafios que a vida adulta lhe trará em breve. “Não me siga, também estou perdida” é a melhor frase para resumir todo o enredo deste alter-ego de Greta Gerwig, também presente em seus dois filmes anteriormente citados. “Lady Bird” versa sobre o amadurecimento, a transição da fase adolescente para a fase adulta, de maneira muito delicada com direção simples e segura de Gerwig e elenco em sintonia, em especial a dupla de mãe e filha Saoirse Ronan e Laurie Metcalf.

Vencedor do Globo de Ouro 2018 nas categorias de Melhor Filme – Comédia ou Musical e Melhor Atriz para Saoirse Ronan, que está encantadora no papel de Lady Bird, mas possui performance inferior a algumas de suas concorrentes, o longa também foi indicado ao Oscar 2018 em 5 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Atriz (Saoirse Ronan), Melhor Atriz Coadjuvante (Laurie Metcalf) e Melhor Roteiro Original. Com certeza “Lady Bird – A Hora de Voar” tem sua importância para o momento feminista por que o mundo e Hollywood, com a campanha contra o assédio sexual Time’s Up, estão passando, já que é escrito e dirigido por uma mulher e protagonizado por outra, que é o centro da história. Em meio a uma escassez de indicações femininas no Oscar, só por Gerwig ser indicada a duas categorias importantes e o filme ter duas de suas principais atrizes indicadas já é uma grande vitória. Se é hype ou não, como muito se tem ouvido por aí, resta ao espectador formar sua própria opinião ao assistir no cinema.

 

Lady Bird – A Hora de Voar (Lady Bird)

EUA – 2017. 94 minutos.

Direção: Greta Gerwig

Com: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Beanie Feldstein, Lucas Hedges e Timothee Chalamet.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4