Liga Da Justiça

Heróis para novos imaginários coletivos

por

01 de dezembro de 2017

É difícil de se compreender o hype negativo que se abateu sobre o novo filme da “Liga da Justiça” de Zack Snyder e codireção complementar na pós-produção por parte de Joss Whedon (ex-contratado dos Estúdios Marvel e diretor de “Vingadores 1 e 2”, e aquisição mais recente da Warner para os filmes da DC), pois a obra funciona e muito.

Screenshot_20171130-173023

O filme teve o desafio hercúleo de fazer o caminho totalmente inverso ao dos Estúdios da Marvel, e inclusive dobrado. Pois a Marvel pôde construir minuciosa e até despretensiosamente (não tome a despretensão como falta de qualidade ou de estratégia, como deu totalmente certo em “Guardiões da Galáxia 1 e 2” e “Homem-Formiga”) para trabalhar dos personagens maiores aos menores, com acertos e até erros (vide os “Thor” e os “Homem de Ferro 2 e 3″…), para chegar num filme de equipe muito bem estruturado.

Já a Liga não tinha vantagem de ter a “editora DC” como um Estúdio desde o princípio, com liberdade e autonomia criativa. Nem teve a vantagem de começar do zero. Teve de desconstruir o imaginário poderoso de filmes isolados como os “Super Homem” de Richard Donner e os “Batman” de Tim Burton e Christopher Nolan, que não eram filmes “editoriais” (ou seja, com a visão da Editora por trás) e sim autorais com visão de diretores com linguagens próprias e bem definidas.

FB_IMG_1512148488186

O filme solo da Mulher-Maravilha (Gal Gadot), dirigido por Patty Jenkins, teve a vantagem de não possuir imaginário prévio de cinema, só de TV décadas antes (creia, para se falar de imaginário de massas faz toda a diferença). Além de ter investido em movimento contrário ao adotado até então pelos filmes anteriores, tanto diegeticamente quanto no extracampo, em relação até à equipe de filmagem. É quase como se a DC tivesse de ter passado pelos percalços dos filmes anteriores para diminuir o conceito isolador e isolado dos filmes anteriores que, convenhamos, JAMAIS funcionariam juntos (põe o Super de Christopher Reeves e o Batman de Michael Keaton no mesmo filme, junto com suas cromáticas e ritmos próprios, e tenta fazer um BvS com eles do jeitinho que estavam. Jamais funcionaria. Ritmos opostos. Tintas opostas. Ou o Super de Brandon Routh e Batman de Christian Bale. Jamais funcionaria).

Ou seja, para chegar a uma equipe onde quase todos são DEUSES com Caps Lock, a DC como editora e como estúdio teve de dar muito apoio à autoralidade de seus cineastas para desconstruir imaginários demasiadamente concretados e isolados de heróis que funcionavam tão bem separados, mas precisavam agora funcionar em conjunto. E a Liga ainda conseguiu criar uma cromática/iluminação e até ritmos próprios em torno de cada personagem, mesmo misturados no mesmo filme. Sorry, mas mesmo não sendo o MELHOR filme de heroi do ano (ainda é Logan, ainda mais na versão Noir), a Liga é um baita acerto.