Luis Antonio – Gabriela

Documentário cênico de Nelson Baskerville, é criado a partir da memória de seu irmão transgênero

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04 de agosto de 2017

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Foto de Priscila Prade.

O documentário cênico “Luis Antonio – Gabriela”, criado pelo ator e diretor Nelson Bakserville a partir das memórias da convivência com seu irmão transgênero, transformou-se num dos maiores sucessos do circuito teatral paulistano nos últimos anos, e finalmente estreia sua primeira temporada carioca, depois de uma trajetória que inclui sete temporadas em São Paulo e outras apresentações em diversas cidades do Brasil e até mesmo em Portugal, resultando em mais de 35 mil espectadores em cerca de 350 espetáculos. No elenco estão Marcos Felipe (no papel-título), Virginia Cavendish (atriz convidada especialmente para a temporada carioca), Sandra Modesto, Lucas Beda, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias, Pedro Augusto, Day Porto e o músico Gustavo SarziO espetáculo foi construído a partir de documentos e de depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville, de sua irmã Maria Cristina, de sua madrasta Doracy e de Serginho, cabeleireiro em Santos e amigo de Luis Antonio, e narra a história de Luis Antonio até o ano de 2006, data de sua morte em Bilbao, Espanha, onde vivera até então como Gabriela.

O diretor Nelson Baskerville leva à cena a história de seu irmão Luis Antonio, homossexual, filho mais velho de cinco irmãos. A história começa em 1953, com o nascimento de Luis Antonio, e passa pela sua infância, adolescência e parte da juventude em Santos, onde desafiava as regras de uma família conservadora dos anos 1960. Pressionado por um ambiente de violência familiar e repressão social em plena ditadura militar, aos 30 anos, sob o nome de Gabriela, parte para a Espanha, onde se torna uma das estrelas da noite de Bilbao. “Em 2002, recebi uma ligação de minha segunda mãe, Doracy – segunda mãe porque minha primeira faleceu após o meu parto, fazendo meu pai, Paschoal, viúvo com 6 filhos, casar com a Dona Doracy, viúva com 3 filhos, quando eu tinha 2 anos – ela me ligou pra dizer que Luis Antonio havia morrido na Espanha. Luis Antonio, pra mim, era aquele irmão, 8 anos mais velho, que sempre mantive na sombra. Só alguns poucos amigos sabiam da sua existência, ele era aquele que, além de me seduzir, e abusar sexualmente, fazia com que muitos dedos da cidade de Santos fossem apontados pra nós, os “irmãos da bicha”, “a família do pederasta”  e outros nomes. Sou obrigado a confessar que a notícia da morte dele não me abalou nem um pouco. Eram quase 30 anos sem saber nada dele, sem saber se ele estava vivo ou morto, enfim, liguei pra minha irmã, Maria Cristina, advogada para passar a notícia pra frente e a preocupação imediata dela foi com os papéis, atestado de óbito, documentação para o espólio, etc. Mas não sabíamos nada do fato e nem ao menos o local exato de sua morte. Maria Cristina empreendeu então uma jornada fadada ao fracasso que era saber notícias do paradeiro dele. Depois de alguns meses, através da embaixada brasileira na Espanha ela o encontrou. Mas não exatamente da forma que esperava. Luis Antonio estava vivo, morava em Bilbao e a partir disso começamos a tentar formar e entender aquela lacuna de 30 anos que nos separavam dele. Minha irmã, numa aventura “almodovariana” foi encontrá-lo. Luis Antonio chamava-se agora Gabriela, tinha sido uma estrela das noites de Bilbao, era viciada em cocaína e AIDS era a menor das suas doenças. Através da Maria Cristina, passamos então a ter notícias dele até sua morte, agora verdadeira, em 2006. As perguntas mais frequentes dos amigos ao saberem da história eram: mas vocês nunca mais se viram? Resposta: nunca. Por que não o trouxeram de volta ao Brasil quando o encontraram doente? Resposta: porque não. Você não foi nem ao enterro? Não. Fiz esse espetáculo.”

Vídeos com depoimentos de Nelson Baskerville são projetados no palco, assim como fotos de sua família, documentos e a correspondência com seu irmão. Vinte e duas telas do jovem artista plástico Thiago Hattner foram encomendadas para compor a cena em que a personagem Maria Cristina (irmã) leva Luis Antonio ao Guggeinhein de Bilbao. A montagem conta com trilha sonora original de Gustavo Sarzi, executada ao vivo pelos atores, que aprenderam a tocar instrumentos especialmente para esta empreitada. A luz, não convencional, foi inteiramente construída pelos atores e diretor, e é operada pelos atores, de dentro do palco. Na peça, o personagem de Nelson Baskerville é interpretado pela atriz Verônica Gentilin.  

“Luis Antonio – Gabriela” foi vencedor de 09 importantes prêmios e recebeu mais de 20 indicações. Recebeu os Prêmios Shell 2011 (Melhor Direção), APCA 2011 (Melhor Espetáculo); Cooperativa Paulista de Teatro (Melhor Direção e Projeto Visual); Governador do Estado de São Paulo (Melhor espetáculo pelo Júri Popular) e Prêmio APLGBT Cidadania em Respeito à Diversidade(Artes Cênicas), entre outros. Foi eleito como um dos melhores espetáculos do ano por Veja São Paulo, Estado de S.Paulo e Folha de São Paulo.

Segue alguns comentários da crítica sobre o trabalho: Antunes Filho, para a Revista Carta Capital: “…Uma das melhores coisas do teatro brasileiro: Luis Antonio-Gabriela. Eu acho uma coisa sofrida, mas bonita, linda na sua feiúra. O feio é belo ali, adquire a forma de arte. Foi uma revelação pra mim. É uma arte brasileira, tem uma brasilidade muito boa e uma estética da feiúra. Eu aconselho as pessoas assistirem.”

Jefferson Del Rios, O Estado de São Paulo: “(…) Com talento e sinceridade, Nelson Baskerville consegue, à sua maneira, reconciliar Abel com Caim”

Dirceu Alves Junior, Revista Veja SP: “A década pouco passou de sua metade, mas já se pode afirmar sem medo que “Luis Antonio – Gabriela” é um dos melhores espetáculos produzidos em São Paulo nos anos de 2010″  

Ficha técinca

Argumento: Nelson Baskerville

Texto/Relatos: Nelson Baskerville, Cristina Baskerville Ierardi, Doracy e Serginho

Intervenção dramatúrgica: Verônica Gentilin

Elenco/Personagem:

Marcos Felipe / Luis Antonio – Gabriela

Virginia Iglesias / Doracy 

Virginia Cavendish / Maria Cristina

Lucas Beda / Pai e Serginho Cabeleleiro 

Verônica Gentilin / Nelson Baskerville

Pedro Augusto / Técnico Performe

Day Porto / Cantora

Gustavo Sarzi / Musico

Direção: Nelson Baskerville

Diretora assistente: Ondina Castilho

Assistente de direção: Camila Murano

Direção musical, composição e arranjo: Gustavo Sarzi

Preparador vocal: Renato Spinosa

Trilha sonora: Nelson Baskerville

Preparação de atores: Ondina Castilho

Iluminação: Marcos Felipe e Nelson Baskerville

Cenário: Marcos Felipe e Nelson Baskerville

Figurinos: Camila Murano

Visagismo: Rapha Henry – Makeup Artist

Vídeos: Patrícia Alegre

Produção executiva: Sandra Modesto e Marcos Felipe

Produção geral: Cia Mungunzá de Teatro

Realização: Cia Mungunzá de Teatro e SESC RIO

Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Serviço

Estreia: dia 03 de agosto (5ªf), às 21h

Local: Mezanino do Sesc Copacabana – Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana / RJ   Tel: (21) 2547-0156   

Horários: 5ª a sábado às 21h e domingo às 20h

Ingressos: R$25,00,  R$12,00 (meia) e R$6,00 (associados Sesc)

Horário Bilheteria: 2ªf de 9h às 16h; 3ª a 6ª de 9h às 21h; sábado de 13h às 21h; e domingo de 13h às 20h

Duração: 90 minutos

Lotação: 80

Gênero: Documentário Cênico

Classificação Indicativa:16 anos

Curta Temporada: até 27 de agosto