Macbeth: Ambição e Guerra

Nova adaptação do clássico de Shakespeare possui estímulo imagético tão forte quanto sua já conhecida trama

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28 de dezembro de 2015

“Macbeth”, assim como outras famosas peças do britânico William Shakespeare (“Hamlet”, “Romeu e Julieta”), já foi adaptada diversas vezes para o cinema. Depois de versões modernas (e nem sempre bem sucedidas) de um dos dramas mais importantes da língua inglesa, eis que o australiano Justin Kurzel volta às raízes shakespearianas em “Macbeth: Ambição e Guerra” e recria o clássico com a sua visão, mas respeitando ao máximo, em trabalho conjunto com os roteiristas Jacob Koskoff, Michael Lesslie (que escreveu também o roteiro de “Assassin’s Creed”) e Todd Louiso, o enredo e os diálogos, quase fieis ao originais e proferidos em linguagem antiga. A história é aquela já conhecida: após vencer uma batalha, o general do exército escocês Macbeth (Michael Fassbender) recebe a profecia de três bruxas de que ele será o novo rei da Escócia e é influenciado pela manipuladora esposa Lady Macbeth (Marion Cotillard) a usurpar o trono do Rei Duncan (David Thewlis), traindo–o e assassinando-o. Durante seu reinado sanguinário, Macbeth é consumido pela culpa causada por seus atos tirânicos e sua sede de poder desenfreada.

A fotografia estonteante de “Macbeth” (no original) é, sem dúvida, o que mais chama a atenção no filme de Kurzel. Sombria e com predominância de tons de vermelho, é ela a maior responsável por transportar o espectador à atmosfera de violência, sangue, guerra, inveja, traição e ambição da história. Kurzel prioriza a estética – que, além da fotografia, também são excelentes a direção de arte, o figurino e a maquiagem – sem desvalorizar os outros aspectos do longa, sendo responsável por uma direção bastante equilibrada e competente. “Macbeth: Ambição e Guerra” é cinema-espetáculo, em que as imagens com tamanha densidade e crueza, possuidoras de grande teatralidade na segunda parte da película, são um deleite até para os olhos mais exigentes. As ótimas cenas de batalha, que podem ser comparadas às dos longas “Coração Valente” (1995), de Mel Gibson, e “300” (2006), de Zack Snyder, já fisgam o espectador nos minutos iniciais da projeção.

Os astros Michael Fassbender e Marion Cotillard são o grande atrativo do filme e interpretam seus personagens de maneira impecável, numa sintonia que impressiona – ambos transmitem extraordinariamente a ganância e o desejo de poder que impregnaram as almas de Macbeth e Lady Macbeth. Os protagonistas agradaram tanto Justin Kurzel, que o diretor vai repetir a parceria com Fassbender e Cotillard em seu próximo projeto, “Assassin’s Creed”. “Macbeth: Ambição e Guerra” não é, no entanto, um filme voltado para o grande público. A sua cadência vagarosa, a linguagem inglesa arcaica de Shakespeare e o tom teatral de parte da trama podem não agradar tanto os não apreciadores e os que não estão acostumados com o estilo. Vale destacar a importância do longa-metragem para que novas gerações conheçam o drama clássico de Shakespeare e comecem a estimar tipos diferentes de cinema. Ainda que não seja para todos os públicos, uma belíssima obra com esta, que foi ovacionada no Festival de Cannes 2015, merece com louvor uma chance de ser assistida.

 

 

Macbeth: Ambição e Guerra (Macbeth)

Reino Unido / EUA / França – 2015. 113 minutos.

Direção: Justin Kurzel

Com: Michael Fassbender, Marion Cotillard, David Thewlis, Paddy Considine e Jack Reynor.

 

 

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4