‘Malasartes e o Duelo com a Morte’

Dirigido e roteirizado por Paulo Morelli, longa entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 10.

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08 de agosto de 2017

Herança folclórica ibérica já retratada em “As Aventuras de Pedro Malasartes” (1960), do gênio Mazzaropi, o personagem do caipira malandro, arquétipo do cinismo e da falta de escrúpulos, que encontramos referências em Macunaíma e no João Grilo, de “O Auto da Compadecida”, e no Didi, de Renato Aragão, todos também representados no cinema, está mais uma vez na telona com novas estripulias. Em “Malasartes e o Duelo com a Morte” que estreia nesta quinta-feira, dia 10, o trapaceiro vai enfrentar aquela que é inevitável e todos temem.

Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) e Áurea (Isis Valverde) em cena (Foto: Divulgação).

Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) e Áurea (Isis Valverde) em cena (Foto: Divulgação).

Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) apronta, mas está sempre se safando das situações mais absurdas. O maior inimigo é Próspero (Milhem Cortaz), que cobra uma dívida e não quer que a sua irmã Áurea (Isis Valverde) namore Malasartes. No entanto, tão malandra quanto o caipira, a Morte (Julio Andrade), quer tirar umas férias e faz uma trama para que Pedro assuma o desagradável cargo de acabar com milhões de vidas ao longo dos séculos. Mas, além da Morte e de Próspero, Malasartes terá que encarar a bruxa Parca Cortadeira (Vera Holtz) e Esculápio (Leandro Hassum), assistente da Morte, que querem assumir o controle do “reino”. Numa referência ao Cândido, personagem da obra de Voltaire, e outro arquétipo, no caso o otimismo, Malasartes terá como parceiro de aventura o matuto ingênuo Zé Candinho, (Augusto Madeira).

Leandro Hassum e Vera Holtz dão vida a dois vilões neste longa orçado em R$ 9,5 milhões (Foto: Divulgação).

Leandro Hassum e Vera Holtz dão vida a dois vilões neste longa orçado em R$ 9,5 milhões (Foto: Divulgação).

O diretor e roteirista Paulo Morelli e sua equipe valorizaram cada centavo do orçamento de R$ 9,5 milhões, com cerca de R$ 4,5 milhões dedicados aos efeitos visuais, no longa do cinema brasileiro com o maior número de efeitos especiais da história, com mais de 50% das cenas geradas por computação. O filme atingiu o objetivo: encantar visualmente. A trama se passa em dois cenários principais. A paisagem rural e o plano da Morte e das bruxas, este riquíssimo na criação de mundo em detalhes sofisticados, com acerto na direção de arte e efeitos que impressionam. Com destaque para o conceito das vidas representadas por uma imensidão de velas conectadas a fios em movimento. As bruxas são como rendeiras que tentam desembaraçar os fios e solucionar a trama da vida, numa bela referência estética à arte nordestina.

A representação limpa, natural, de Jesuíta Barbosa, deixa tudo muito mais divertido. A Morte, realmente intimida com a atuação sinistra de Julio Andrade. Todo o elenco está à vontade em seus personagens. Com muito bom humor, “Malasartes e o Duelo com a Morte”, trata questões filosóficas sem embaraço narrativo. Estão lá a inevitabilidade da morte (ou quem sabe?), o destino e o livre arbítrio. E nosso “herói” terá que fazer escolhas difíceis que desafiam até sua esperteza inesgotável.

Avaliação Ana Rodrigues

Nota 4