Manifesto

O que é arte?

por

11 de outubro de 2017

O que pode ser considerado arte? O gosto pessoal, relacionado com as convenções sociais, políticas e religiosas de uma pessoa, pode interferir na leitura de uma obra de arte? A arte pode ser classificada ou desclassificada como arte por qualquer pessoa que a observa? A arte, é arte. Os trabalhos presentes na exposição Queermuseu, são legítimas obras de arte, são expressões de mais uma realidade humana. Mas por que então perguntar, o que é arte? É realmente necessário explicar, uma ação que vem de dentro do ser, que é colocada pra fora e quando em contato com o material escolhido, essa ação se transforma, explode, revira, e pronto. Nasce a tal chamada arte. E quando se pede uma explicação, seria o mesmo que questionar porque os trabalhos de Paula Rego são tão duros, suas mulheres tristes e raivosas como na série Mulher-Cão, artista essa, presente dentro do Festival do Rio com o essencial documentário biográfico, Paula Rego, histórias e segredos. Desse impulso natural que costuma vir da alma, damos o nome de arte, e por vir da alma, não cabe a ninguém censurar, julgar, interferir ou modificar. Didático e ponto.

Em Manifesto, do artista Julian Rosefeldt, temos um filme instalação que parece querer infiltrar nossas mentes, em um processo intenso de aplicações de ideologias pensadas por diversos filósofos, teóricos, pensadores e artistas, o mesmo sugere de cara, essa intenção ao iniciar o manifesto apresentando vorazmente, o nome desses diversos seres que apresentaram novas formas de visão do mundo político e artístico. Essa ideia de cartelas passando rapidamente em junção com a música marcada, remete os créditos iniciais de Enter the Void, do argentino Gaspar Noé, esse ponto forte e marcado dos créditos, reflete de certa forma em um tipo de cinema que pretende incomodar, cutucar, questionar. Manifesto é um filme que incomoda aquele que não aceita ou não consegue enxergar a imensidão humana em relação a suas subjetividades de pensamentos e ideologias, a dificuldade em aceitar o diferente, o não casual.

cate-blanchett-manifesto-1100x456

Cate Blanchett, interpreta 13 personagens, cada um deles representando e dando voz a um manifesto artístico. Do Manifesto Comunista (1848) até o Golden Rules of Filmmaking (2002) de Jim Jarmuch, o filme perpassa por diversos conceitos, desde a imposição das artes em um mundo capitalista, a vertentes revolucionárias de expressão como os movimentos artísticos presentes no dadaísmo, futurismo e cubismo, além de passar por suas sub-vertentes dentro dos movimentos citados. Podendo ser dividido em 13 partes intituladas como: Prólogo, Situacionismo, Futurismo, Arquitetura, Expressionismo Abstrato, Criacionismo, Construtivismo, Dadaísmo Surrealismo, A Pop Art, A Performance, A Arte Conceitual e o Minimalismo e por fim, seu Epílogo.

Cate Blanchett appears in Manifesto by Julian Rosefeldt, an official selection of the Premieres program at the 2017 Sundance Film Festival. © 2016 Sundance Institute | photo by Barbara Schmidt.

Cate Blanchett appears in Manifesto by Julian Rosefeldt, an official selection of the Premieres program at the 2017 Sundance Film Festival. © 2016 Sundance Institute | photo by Barbara Schmidt.

Manifesto, torna-se muito além de uma obra cinematográfica, podendo ser pensado como uma grande reunião de pensamentos que se convergem, ambos são resultantes de manifestações pensantes humanas que de certa forma, refletem no mundo atual de eterna expansão e reconstrução.