Manto Aquífero

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07 de outubro de 2014

Baseado no conto “Secrets” de Tim Winton e produzido pelo ator Gael García Bernal, “Manto Aquífero” conta a história de Carolina (Zaili Sofía Macías), uma menina de 8 anos que é obrigada a morar com sua mãe (Tania Arredondo) e o padrasto Felipe (Arnoldo Picazzo) em uma nova cidade após a separação dos pais. Meio perdida sobre tudo o que está acontecendo, Caro só pensa em reencontrar seu pai, de quem fora separada subitamente, mesmo sua mãe lhe dizendo que nunca mais irá vê-lo. Solitária, a menina passa os dias explorando o jardim de sua nova casa e faz de um poço seu abrigo secreto.

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Caro é uma menina bastante introspectiva. Monossilábica, quase não fala e nem sempre responde o que lhe é perguntado, especialmente se a pergunta vier de Felipe, seu padrasto malquisto. Já que ninguém lhe dá explicações, ela não se sente à vontade para conversar e lida sozinha com seus sentimentos. Apesar de paciente e carinhosa, a mãe de Caro dá pouca atenção à filha e a negligencia enquanto se foca em seus próprios problemas conjugais. A hora da história antes de dormir é o único momento do dia em que ficam juntas. As tentativas de aproximação de Felipe também são em vão, pois Caro o trata sempre com indiferença. Ela se sente constantemente enganada e passa a escutar as conversas dos adultos, até que começa a desvendar o que vem sendo escondido desde que deixou sua antiga casa. Proibida de brincar no poço que fica no quintal, é lá que ela encontra um refúgio onde monta o seu mundo particular com tudo o que a conforta.

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Dirigido por Michael Rowe (“Ano Bissexto”) e exibido no Festival de Roma 2013, “Manto Acuífero” (no original) é minimalista e tem a casa como único cenário dos 76 minutos de fita. Com poucos diálogos e pouca trilha sonora, é para as atuações que a atenção do espectador deve estar voltada – há muita expressão na aparente inexpressão de Caro. Em algumas cenas, enxergamos através do ponto de vista da menina, por isso certas visões são recortadas, pois é o que ela vê: apenas partes de um todo que somente os adultos conhecem. A ela nada é explicado, tudo é escondido, e o espectador pode se sentir um pouco em sua pele e experimentar o que ela está sentindo. Não fosse a monotonia dos dias de Caro, seria uma experiência interessante. Se o ritmo lento é o ponto fraco de “Manto Aquífero”, temos em seu desfecho violento o ponto alto do filme, uma atitude inesperada de Caro que mostra no que sentimentos reprimidos podem se transformar ao explodirem.

 

Festival do Rio 2014 – Mostra Foco México

Manto Aquífero (Manto Acuífero)

México – 2013. 76 minutos.

Direção: Michael Rowe

Com: Zaili Sofía Macías, Tania Arredondo e Arnoldo Picazzo.


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