Maravilhoso Boccaccio

Mestres italianos também escorregam

por

07 de maio de 2016

boc3.superbanner

Os maravilhosos italianos irmãos Taviani, realizadores de algumas obras-primas como o recente “César Deve Morrer” (2012), gostam de brincar com traços característicos na maior parte de suas obras: uma forte carga histórica, além de um tom teatral e, a contrassenso, uma dose documental de naturalidade. Fizeram isso em seu renomado filme anterior supracitado, e investem um pouco mais na carga de época em “Maravilhoso Boccaccio”, uma nova revisão do autor literário clássico Giovanni Boccaccio, que revolucionou a narrativa italiana satírica como com a obra “Decameron”, e já foi adaptado por grandes cineastas como Pasolini ou mesmo homenageado num mesmo filme formado de quatro médias-metragem de alguns dos maiores cineastas italiano: Fellini, Visconti, Monicelli e De Sica.

560378-jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx

Uma obra que originalmente versa sobre jovens na Idade Média fugindo da peste negra e se escondem num castelo isolado enquanto contam histórias perversas e maliciosas uns para os outros para tentar se distrair e não trair a proibição de namorar dentro do castelo. Como jovens que são, é claro que as histórias vão ficando cada vez mais fortes, assim como a libido de terem relações uns com os outros e trocarem de casais, mesmo que isso custe uma situação desconfortável e brigas de vida ou morte em seu isolamento.

boc.superbanner

Infelizmente os irmãos Taviani deixam de trabalhar um pouco os jovens presos no castelo, todos forçadamente teatrais e sem viço, apesar de belos e com figurinos deslumbrantes. Em contraste, os diretores convidaram alguns grandes nomes da atuação italiana para fazerem míseras pontas nos contos que os jovens relatam durante a projeção. Decerto os melhores dentre eles é o feminista da freira rebelde do convento, o do homem que acha que está invisível e pode fazer o que quiser sem ser castigado pela sociedade, e o do amante que espera pela amada até a pobreza ameaçar matar seu amor de fome. Todos os contos metaforizam mazelas sociais atuais até os dias de hoje na Itália, como relações de poder influenciadas pela Igreja Católica, no ideal tolo de amor romântico-sacro do casamento puritanista, ou da malandragem política de quem acha que pode se dar bem sobre os outros. Mas infelizmente os cineastas o fazem de forma desequilibrada, sem manter o ritmo ou o carisma das histórias, narrando-as, inclusive, com desníveis de produção, ora mais ora menos caprichadas umas do que as outras.

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3