Marielle – O Documentário na Globo Play

Quem mandou matar Marielle?

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15 de março de 2020

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Chorei muito hoje. Chorei e escolhi esta foto porque significa muito para mim. Fui eu que tirei esta foto. Com os olhos e coração cheios de admiração por estas incríveis mulheres. Dentre elas, Marielle Franco, bem como também, logo ali no cantinho da foto, minha esposa, Samantha Brasil, que faz parte deste grupo que recebe o nome de ‘PartidA’ — uma organização apartidária que se empenha pela politização e maior presença de mulheres na política. Esta foto aconteceu um pouco antes das eleições de 2016, quando Marielle Franco chegou à Câmara dos Vereadores como a quinta mais votada!

Tivemos muito orgulho de acompanhar de perto a campanha desta mulher admirável e que tive a honra de presenciar e escutar de perto em debates da PartidA como este, em que eu era um dos únicos homens presentes em meio ao grande número de mulheres que estava já se organizando desde então — e sempre fui acolhido com enorme carinho, inclusive por Marielle, que atenciosamente correspondia com as perguntas e dúvidas deste simples e fiel eleitor.

Algumas destas mulheres incríveis se candidataram por inúmeros partidos diferentes e foram eleitas… ou continuam nesta jornada e um dia serão eleitas. Todas admiráveis por inúmeras razões. Nem todas inseridas na política partidária, mas desenvolvendo reflexões politizadas em todas as suas áreas e campos de atuação.

Hoje faz 2 anos do assassinato covarde de Marielle e Anderson. Dois anos sem respostas concretas…apesar de que o resultado disso, a mesma mentalidade por trás deste crime hediondo é a mesma mentalidade que está no governo agora. Coincidência? Impossível. Logo hoje nos 2 anos deste assassinato, eu e Sam assistimos ao seriado documental sobre Marielle que foi disponibilizado na Globo Play… Um seriado que por ser documental e registrar um momento histórico, crucial como este, não deixa de ser importante e, inclusive, possuir seu papel em cobrar pelas respostas que faltam com a visibilidade que uma produção desse porte pode cobrar. Uma série documental possui outro peso, diferente da tentativa recente anunciada em se tentar filmar a seria ficcional… Esta sim acho que poderia esperar um pouco para acontecer.

A série documental pode ser quadradona e um pouco didática, justamente por querer tentar dialogar com os dois tipos de público, aqueles que aquiescem a força e luta que Marielle representa, mas também aqueles que não entenderam ou até talvez a tenham julgado na época das fake news… Mas serve a seu propósito em humanizar e fazer jus a ela, em investigar o assassinato em si de forma jornalística, além de que nada pode tirar a força de depoimentos viscerais como da família dela, de sua companheira, de parcerias políticas e outros momentos bastante sensíveis (como a merecida homenagem de Katy Perry no Rock in Rio; a resposta de Marielle a Siciliano naquela época; e o cinturão popular na Cinelândia para deixarem o caixão passar na despedida aberta ao público em frente da Câmara Municipal).

Só vale lembrar que a força verdadeira de Marielle está aí, viva, em meio às várias mulheres eleitas desde então, e mesmo fora da política, todas sementes politizadas e que estão florescendo novas primaveras de luta e conquistas.

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Na foto abaixo estão, da direita para a esquerda: Fátima Lima, Samantha Brasil, Cristina Biscaia, Márcia Tiburi, Marielle Franco, Ivone Pita, a saudoda Nilcea Freire, Aline Souza, Vanessa Berger e, sentada abaixo, Luciana Boiteux. (A foto foi tirada antes da querida Tainá de Paula entrar também)

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