Mas por quê!?? A História de Elvis

Uma das melhores peças dos últimos quatro anos, no Rio de Janeiro, arrebata o público desde a primeira imagem

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28 de maio de 2015

Mas por quê??! Porque não se trata apenas de um ótimo espetáculo para a infância e juventude! Mas por quê??! Porque está relacionado as escolhas, aos caminhos que queremos trilhar na arte e na vida! Mas por quê??! Porque não acontece todos os anos, ou nem mesmo em uma década, de encontrarmos cabeças pensantes, e tão boas, como estas! Mas por quê??! Porque é a história de Elvis encenada com profunda delicadeza por gente grande de teatro, que faz teatro para gente pequena, como gigantes…“Mas por quê??! A História de Elvis” é o espetáculo que está movimentado o imaginário, a razão e todos os sentidos daqueles que vivem este encontro no Theatro Net Rio no Shopping Center Siqueira Campos, no Rio de Janeiro, aos sábados e domingos às 16h. A peça é livremente adaptada do livro do autor alemão Peter Schössow – obra inédita no teatro nacional -, por Rafael Gomes e Vinicius Calderoni e idealizada por Pablo Sanábio e Felipe Lima. “Mas por quê??! – A História de Elvis” conta a história de Cecília, uma menina que está inconformada com a morte de Elvis, o seu canário belga – que recebeu este nome em homenagem ao Rei do Rock, e mito, Elvis Presley, pois ele iria cantar tão bonito como ele. Na tentativa de achar respostas para suas perguntas, a heroína aprenderá a superar a dor da perda em uma viagem fantástica pelo próprio inconsciente. Nessa trajetória, Cecília irá atravessar os recantos mais divertidos e delirantes de suas lembranças.

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Letícia Colin tem atuação irrepreensível como Cecilia. Densa, delicada e poética.

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Leticia lidera, com a sua empatia e talento, uma das melhores peças do Rio de Janeiro, nos últimos quatro anos

O que deve ser ressaltado neste belo espetáculo, não diz respeito apenas a simples criação de mais uma peça teatral de qualidade técnica e artística no cenário carioca. Fala de escolhas, de propósitos e do mais profundo desejo de realizar arte na acepção mais profunda de sua palavra. Arte como sinônimo do belo, do sublime. Absolutamente tudo que engloba a encenação deste rico projeto dialoga com excelência em todos os setores da encenação. Desde a grande ideia de Pablo Sanábio e Felipe Lima, que fizeram todas as escolhas beirando a perfeição. Há alguns anos que eu não assistia a uma peça no teatro para a infância e juventude que me fizesse voltar de fato a ser criança, que me fizesse flutuar, que me fizesse ter orgulho de tê-los como pares, que mexesse com todos os meus sentidos, que preenchesse todas as minhas lógicas, as minhas razões. Partindo de uma história original alemã, já um excelente ponto de partida, para uma gama variada de conteúdos, e questões, de grande relevância. Passando pela impressionante adaptação de Rafael Gomes e Vinicius Calderoni, que conseguiram criar uma verdadeira obra prima em seu roteiro e dramaturgia. Desde a construção de toda a carpintaria textual, repleta de inteligências, até as temáticas abordadas: filosofia, existência, razão, emoção, perda, amor, vida, morte, passado, presente, escolhas, viagem, encontro, poesia, lirismo, delicadeza, saudade, peso, leveza e crescimento. Tudo isso regido por uma trilha sonora arrebatadora, orquestrada por Felipe Habib, com as músicas de Elvis Presley – cantada e tocada por todo elenco com bastante propriedade. Piano, acordeom, saxofone, violão, guitarra, baixo, ukulele, bateria e castanholas são os instrumentos manuseados pelos atores.  Até a escolha de manter as letras no original em inglês, foi um belo acerto, pois a atmosfera, a ambientação e o clima de cada uma das canções preenchem perfeitamente bem toda a encenação.

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O cenário de Bia Junqueira é absolutamente belo, suave, delicado e cheio de inteligências cênicas.

A impressionante cenografia de Bia Junqueira, toda feita de papelão, papéis e plásticos, é um espaço abstrato que tanto pode ser um parque quanto a cabeça da protagonista, e cria efeitos sublimes e extremamente delicados na utilização dos mesmos. Criando quadros vivos, de movimentos, e nos levando a viajar e a flutuar pelo universo de Cecilia, auxiliados também pelos belíssimos, e funcionais, figurinos de Luciana Buarque, e a luz densa, emocional e sensível de Luiz Paulo Nenen. Letícia Colin, Júlia Gorman, Marcel Octavio, Pedro Lima e Simone Mazzer formam o precioso elenco, que toca e canta oito clássicos de Elvis Presley: Tutti fruttiA little less conversationHound dogBlue suede shoesCan’t help falling in LoveAlways on my mindBridge over troubled water e Love me tender. Letícia Colin como Cecilia tem atuação absoluta, densa, delicada e poética. Júlia Gorman faz com muita sensibilidade uma personagem chave na história de Cecilia. Marcel Octavio como Sebastião tem uma composição firme e cinematográfica. Pedro Lima como Max, usa bem o contraste de seu tamanho e voz, para dar vida a um urso de pelúcia. Simone Mazzer como Lili, representa também com sensibilidade uma amiga de Cecilia. Cada uma destas personagens estão cobertas de histórias, de importância na vida de Cecilia. O formato como tudo isto vem a tona é um dos pontos altos de todo o espetáculo.

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Todos os atores têm momentos expressivos, proporcionados pelo excelente texto de Rafael Gomes e Vinicíus Calderoni

Tanto o púbico como a crítica precisa reconhecer as diferenças, e singularidades, em trabalhos deste porte, não desprezando jamais nomes que não estejam tão em voga para eles, e que realizam também trabalhos tão inovadores e contemporâneos como este. A arte e o teatro agradecem, ou lamentam por isso! Talento, audácia, ousadia, respeito a inteligência da crianças e dos adultos, muita seriedade e competência, fazem da peça uma pérola na temporada carioca. Mesmo que possa haver alguns estranhamentos – muito bem-vindos – no trabalho, é muito importante que tenhamos artistas dispostos a investirem em um espetáculo refinado e elaborado como este.“Mas por quê!?? A História de Elvis” , por tudo o que é dito acima, representa para o teatro carioca, uma importante ruptura de ideias, conceitos, formas e conteúdos.

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O espetáculo é recheado de quadros vivos e impresionantes imagens

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Todos os atores, cantam e tocam instrumentos, no belo repertório do Rei do Rok Elvis Presley

FICHA TÉCNICA

Baseado no livro ilustrado de Peter Schössow

Texto: Rafael Gomes e Vinicius Calderoni

Direção Renato Linhares

Elenco: Letícia Colin, Júlia Gorman, Marcel Octavio, Pedro Lima e Simone Mazzer

Idealização: Felipe Lima e Pablo Sanábio

Produção: Felipe Lima e Mariana Serrão

Direção Musical / Preparação Vocal: Felipe Habib

Iluminação: Luiz Paulo Nenen

Cenografia: Bia Junqueira

Figurino: Luciana Buarque

Realização: Sevenx Produções Artísticas e A Coisa Toda Produções

 

SERVIÇO

Temporada: 04 de abril a 31 de maio de 2015

Local: Theatro NET Rio

Endereço: Rua Siqueira Campos, 143, Copacabana – Rio de Janeiro

Site: www.theatronetrio.com.br

Informações: (21) 2547-8060

Horários: Sábado, às 15h30. Domingo, às 16h

Capacidade: 644 lugares

Valor: R$ 80 / R$ 40 (plateia e frisas) e R$ 60/ R$ 30 (balcão)

Funcionamento Bilheteria: De segunda a domingo, das 10h às 22h

Classificação: Livre

Duração: 60 minutos.

Vendas pelo site: www.theatronetrio.com.br e www.ingressorapido.com.br


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