Melhores curtas-metragens brasileiros de 2017

À luz da valorização da Ancine ante desmantelamentos recentes, vale à pena fazer algumas retrospectivas

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28 de julho de 2019

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Bem, todo mundo me marcou na hashtag para que possamos mostrar nosso apreço pela Ancine — que não pode acabar de forma alguma! Mas lembremos que nosso cinema ainda possui pontos cegos que talvez tenhamos sim de abordar e trabalhar para não deixar jamais estas vulnerabilidades inerentes ao sistema criarem brechas para ataques desse tipo. Quanto mais plural e representativo nosso cinema puder ser, mais irá ter gente se sentindo representada para lutar por ele!

E um dos campos mais ricos de nosso cinema nos últimos tempos são os curtas! Curtas muitas vezes feitos sem qualquer subsídio público — o que não é a meta, claro, pois é saudável alcançar um nível autossustentável — mas que tiveram força e liberdade total! Um exemplo que deve ser seguido pelo mercado (e que muitas vezes o mercado absorve e se recria através dos curtas)!

Então, vou copiar a mim mesmo trazendo de volta uma lista que fiz há 2 anos atrás de melhores curtas que me atravessaram pessoalmente, e à minha carreira profissional (e exercem influência até hoje, seja nos nossos cineclubes, como os ministrando em sala de aula), e não por coincidência o texto abaixo permanece mais atual do que nunca sobre toda uma vitória que esses filmes representam sobre uma força negativa que naquela época estava ascendendo e agora alcançou o governo do Brasil, mas que jamais vencerá a guerra enquanto histórias como estas forem contadas:

De fato, este é um dado bastante relevante dos novos tempos: Que a produção atual de curtas-metragens tenha, por exemplo, muito mais força de atração para a Tela Grande que um longa-metragem, em várias ocasiões demonstradas recentemente. Dentro e fora de Festivais e Mostras.

Poderia citar vários dos meus favoritos do ano aqui, como, por exemplo “Travessia” de Safira Moreira, “Deus” de Vinícius Silva, “Peripatético” de Jessica Queiroz, “Pele Suja Minha Carne” de Bruno Ribeiro, “Tentei” de Laís Melo, “Humores Artificiais” de Gabriel Abrantes, “X-Manas” de Clarissa Ribeiro, “Chico” de Eduardo Carvalho e Marcos Carvalho, “Vando Vulgo Vedita” de Andréia Pires e Leonardo Mouramateus, “Tailor” de Calí dos Anjos, “Cabelo Bom” de Claudia Alves e Swahili Vidal, “Afronte” de Bruno Victor e Marcus Vinicius, “A Passagem do Cometa” de Juliana Rojas, “Nada” de Gabriel Martins, “O Porteiro do Dia” de Fábio Leal, “Eu Preciso destas Palavras Escrita” de Milena Manfredini, “FéMenina” do Coletivo Mulheres de Pedra e tantos mais (desculpa desde já se esqueci de citar algum que tenha amado MUITO por pura distração).

Porém, uma coisa atravessa todos eles, que é a luta por direitos afirmativos e identitários numa sociedade com correntes que andam querendo apagar institucionalmente esses mesmos direitos.

Não é uma novidade que os curtas encham salas de cinema por si só, independente de longas (e até mesmo com muito mais liberdade de criação), como um dos casos mais notórios há poucos anos que foi “Kbela” de Yasmin Thayná.

Todavia, até mesmo diante do resultado das pesquisas de gênero/raça/classe no audiovisual do GEMAA Pesquisa sobre a baixíssima representatividade nos longas-metragens lançados comercialmente, e perante o fato também de a GEMAA ainda não ter infraestrutura para analisar a enorme quantidade de curtas no ano (ainda, pois GEMAA já está lutando para mudar isso), é nesta seara onde a real pluralidade inovadora está ocorrendo e devemos nos atentar com mais dedicação. #FicaADica

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