‘Memória em Verde e Rosa’

Dirigido por Pedro von Krüger, documentário entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 30.

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30 de março de 2017

O samba é uma representação do Brasil no mundo. Ritmo único que define a nação em música e dança. A excelência que gerou uma das mais tradicionais escolas de samba do país é tema do documentário “Memória em Verde e Rosa”, de Pedro von Krüger, que estreia nesta quinta, dia 30.

Documentário resgata a riqueza artística do passado.

Documentário resgata a riqueza artística do passado.

A Estação Primeira de Mangueira é apresentada pelo que ela tem de essencial: os compositores. A verde e rosa é, junto com Portela e Império Serrano, a maior usina de criadores da música que representa nosso país, escolher esses personagens como elementos principais do filme, é o seu maior acerto. A partir de relatos do próprio Cartola, o poeta de “As Rosas Não Falam”, e tantos outros como o grande vencedor de sambas-enredo Hélio Turco, e os mestres Carlos Cachaça, Nelson Sargento e Nelson Cavaquinho, a Mangueira mostra sua história.  O documentário ainda resgata notáveis, que ainda não haviam conquistado o devido destaque como Tantinho, Geraldo Pereira e Pandeirinho.

Entendemos acima de tudo o que é a essência de uma escola de samba. Um movimento cultural que tem sim, grande preocupação com a precisão técnica de sambas antológicos como “O Mundo Encantado de Monteiro Lobato” (1967) ou “100 anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão” (1988).

Tia Suluca, Presidente de Honra da ala das baianas.

Tia Suluca, Presidente de Honra da ala das baianas.

Os quase 90 anos de história da Mangueira são fotografados na beleza da simplicidade e poesia que transformaram a escola de samba em um meio de unificação entre morro e asfalto, que como diz um samba de Gilberto Gil é “tanto resistência, quanto rendição”. O Morro da Mangueira é retratado como espaço democrático que acolhe todas as classes, ao contrário do passado que tratava o samba como marginalidade. Imagens do passado e do presente revelam a importância da atuação comunitária da verde e rosa através de personalidades afetuosas como Dona Neuma e Dona Zica.

A direção de Pedro von Krüger e o roteiro de Alípio Carmo e Felipe Bibian nos levam às profundas origens do samba a partir das religiões afro-brasileiras, com algumas sequências mágicas de dança protagonizavas por Delegado e Mocinha, casal de mestre-sala e porta-bandeira de primeira grandeza, e de habilidade dos ritmistas, entre eles Carlinhos do Pandeiro.

“Memória em Verde e Rosa” resgata a riqueza artística do passado e toca na ferida do samba diluído, erva daninha que por vezes tenta invadir o jardim de rosas musicais de Cartola e Cia.

Avaliação Ana Rodrigues

Nota 4