Meninas de Ouro

Personagens se destacam

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23 de janeiro de 2017

20° Mostra de Cinema de Tiradentes — Mostra Cena Regional – Série 1

“Meninas de Ouro” de Carol Rooke é um documentário em formato de curta que, apesar de sua aparência modesta na forma de filmar, consegue revelar boas personagens em história que emociona e faz rir. Seguindo a vida de quatro mulheres que trabalham como garis na cidade mineira de Mariana, desmistifica não apenas seu serviço, com atitudes nobres que se revelam no dia-a-dia de quem não se define por aquilo com o que se trabalha, e chega até as interessantes reviravoltas íntimas na vida pessoal destas mulheres. Claro que por se tratar de filme episódico seguindo formalmente as personagens uma de cada vez, o filme não ousa na montagem ou no ritmo e fica à mercê de qual história poderá tocar melhor os diferentes tipos de espectadores, de modo que duas claramente se destacam.

A forma despojada com que algumas delas mostram suas casas e confidenciam suas derrotas e conquistas familiares, descortinando arquétipos tipicamente invisibilizados, como abusos dentro de casa cometidos pelos próprios membros da família, educação de filhos com apenas um dos pais sem qualquer ajuda, ou mesmo como elas se identificam como indivíduo para além do arquétipo coisificante dado ao coletivo de quem trabalha com lixo, decerto irá atravessar quaisquer nuances que fiquem faltando pela necessidade de um pouco mais de coesão técnica na hora de filmar. A trilha, apesar de ocasionalmente um pouco excessiva, é bem escolhida e significativa. No geral, uma boa visita aos seres humanos que fazem um trabalho imprescindível que em geral não é reconhecido na correria das pessoas que passam pelas ruas a jogar mais lixo, sem educação pública de conscientização.