Meu Malvado Favorito 3

O terceiro filme da franquia até traz elementos novos, mas deixa os Minions perdidos na trama e não supera os longas anteriores

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30 de junho de 2017

Os amarelinhos mais amados do mundo voltaram, mas dessa vez apenas como coadjuvantes no terceiro filme da franquia “Meu Malvado Favorito”. Depois do equívoco de colocá-los como protagonistas em “Minions” (2015), os diretores Kyle Balda e Pierre Coffin acabam errando novamente a mão, só que ao contrário, por deixarem os minions muito deslocados da trama principal em pequenas tramas paralelas – divertidas, porém sem conexão alguma com o restante da animação. Por outro lado, a dupla de roteiristas Cinco Paul e Ken Daurio acertou em parte ao criar uma história coerente com um novo personagem que tinha tudo para dar errado: Dru, o irmão gêmeo perdido de Gru, ambos dublados por Steve Carell na versão original e por Leandro Hassum na versão brasileira.

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Agora casados, Gru e Lucy (Kristen Wiig/Maria Clara Gueiros) formam uma dupla de agentes e o alvo da vez é o ex-ator e astro mirim de TV, Balthazar Bratt (Trey Parker/Evandro Mesquita), que foi bem-sucedido nos anos 80 fazendo um papel de menino malvado e voltou como um vilão real. Enquanto tem a vida de sua família, inclusive a dos atrapalhados minions, tumultuada por Bratt, Gru encontra Dru, o seu irmão gêmeo até então desconhecido.

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Apesar de gêmeos, Gru e Dru não poderiam ser mais diferentes, e “Despicable Me 3” (no original) brinca com isso desde o primeiro encontro através de contrastes: se Gru é careca, mal humorado, pessimista, usa roupas escuras e tem gosto e talento para a vilania, Dru tem uma cabelo loiro esvoaçante, é bem humorado, otimista, veste branco e é um desastre quando tenta desempenhar o ofício da família. Ao mesmo tempo em que explora essa nova relação dos irmãos, o filme mostra a construção da maternidade de Lucy em relação às novas enteadas Margo, Agnes e Edith, e faz isto com leveza e humor. A pequena Agnes, como sempre, se destaca entre as três irmãs protagonizando cenas de muita fofura e ingenuidade.

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Com diversas referências musicais aos anos 80 em momentos divertidos, o longa consegue entreter tanto crianças e adolescentes quanto adultos – parece que finalmente enxergaram o sucesso que a franquia e os minions fazem entre o público crescido e resolveram investir um pouco. Balda e Coffin apresentam mais cenas de ação e boas piadas neste terceiro filme, embora sejam inferiores às de seus antecessores, porém o roteiro de Paul e Daurio não traz nada que já não tenha sido visto no cinema diversas vezes, além de um vilão pouco carismático e eternamente imaturo. Não fosse o afastamento dos minions da família de Gru e da história central, talvez por medo de repetir a fórmula de protagonismo que não deu certo há dois anos, “Meu Malvado Favorito 3” poderia ter sido tão bom quanto os anteriores, mas não deixa de ser divertido para todas as idades.

 

Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3)

EUA – 2017. 90 minutos.

Direção: Kyle Balda e Pierre Coffin

Com: Steve Carell, Kristen Wiig, Trey Parker, Miranda Cosgrove, Dana Gaier, Nev Scharrel e Julie Andrews / Leandro Hassum, Maria Clara Gueiros, Evandro Mesquita.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3