Meu Nome é Zé

Surpreendente espetáculo de Umarizal coloca o 9o FENATIFS em um novo eixo curatorial

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24 de novembro de 2016

Apresentada dentro da Mostra Interior do Nordeste, tivemos a grande surpresa em assistir ao espetáculo: “Meu Nome é Zé” da Cia Arte & Riso da cidade de Umarizal/RN. O ano de 2016, realmente, fez toda a diferença na programação do 9o FENATIFS.  O Festival deu um grande salto de qualidade no que diz respeito a sua curadoria. Pela primeira vez vimos espetáculos ultrapassarem a fronteira do livre para todas as idades. Foi possível apreciar na programação espetáculos com maiores refinamentos na linguagem e na estética, na subjetividade e delicadeza de temas que traziam em si muitas e muitas camadas, filigranas sensíveis, que obrigou os espectadores a saírem de suas zonas de conforto, com tantas temáticas mais elaboradas e propostas de encenação mais transgressoras, e distante de um lugar comum, ou de muitos facilitadores.  As mostras do 9o FENATIFS foram muito bem servidas em variedades, em originalidade e também criatividade e organicidade. De uma forma cômica, satírica e escrachada, o espetáculo “Meu Nome é Zé” nos trouxe histórias de “politicagem” dos interiores do Brasil, um recorte do mundo, dando voz direta às figuras marginalizadas da sociedade, como o bêbado que vive nas ruas junto aos cachorros, o qual narra e analisa a partir de sua vida os fatos mostrados, nos fazendo perguntar quem realmente vive embriagado e na cegueira? A história conhecida de todos os cidadãos dos mais diversos recantos do país, é vivida durante o pleito eleitoral, onde políticos lutam para chegar ao poder utilizando das mais diversas artimanhas políticas e perseguições na busca ao poder.

A irreverência da Cia Arte & Riso toma conta do palco do Teatro CUCA

A irreverência da Cia Arte & Riso toma conta do palco do Teatro CUCA

A frente da cena o ator principal e diretor do espetáculo

A frente da cena o ator principal e diretor do espetáculo

A encenação da Cia é bastante irreverente, cheia de picardia, e com uma linguagem direta e popular, de acordo com a trajetória da Cia, pois o espetáculo é concebido para ser apresentado em ruas e praças. Oferecendo assim uma linguagem que permite ao espectador vê-la até aonde o seu limite lhe permite, pois algumas piadas não são direcionadas ao público infantil, que não conseguiria compreender as sutilezas e as metáforas corporais e gestuais envolvidas. O começo da encenação é bastante forte e preenche bem o espaço com o som executado ao vivo. Depois, o que vemos em cena é uma grande farsa, em tons épicos, e bastante direta. Uma peça que conta com a interação do público, onde temos até um momento para votação e eleição de um cargo público. Os atores seguram bem as suas personagens e se comunicam com muita graça e certa infâmia com os espectadores. Foi uma grata surpresa ver a irreverência desta troupe no 9o FENATIFS.


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