Michelle e Obama

Michelle e Obama faz um pouco de tudo isso com uma proposta, de certa forma, arriscada.

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14 de outubro de 2016

Existem várias formas de se contar uma biografia. Alguns diretores optam por simplesmente narrar os fatos de uma personalidade em ordem cronológica, de seu nascimento até seus últimos momentos, como no “Ray” de Jamie Foxx. Outros optam por contar apenas algum momento decisivo de sua vida, como em “O Jogo da Imitação”, que conta como Alan Turing criou a sua famosa máquina. Há ainda os que optam por focar em apenas uma faceta da vida da celebridade, como em “A Teoria de Tudo”, que foca na relação de Stephen Hawking com sua esposa. Citei esses três exemplos, todos de filmes premiados recentemente, para pontuar que não existe uma fórmula correta para uma biografia. Michelle e Obama faz um pouco de tudo isso com uma proposta, de certa forma, arriscada.

southside

O filme foca a toda a sua história em uma tarde de 1987. Em Chicago, um jovem estudante de direito chamado Barrack Obama  tenta se aproximar de uma prestigiada advogada do escritório onde trabalha. O nome dessa advogada é Michelle Robinson e o final dessa história é mundialmente conhecido.

Nesse dia, enquanto ambos falam sobre si, podemos notar todas as ideologias que tornaram Obama famoso ao longo de sua carreira política. É um filme cuidadosamente desenhado para exaltar as qualidades de Obama, chegando a ter um momento em que ele discursa conquistando as classes menos favorecidas.

Mas é importante notar que nada disso soa forçado. Como jovem Barrack está tentando impressionar a exigente Michelle, todas as histórias e situações criadas por Obama surgem sem pressa e de maneira totalmente orgânica.

O filme usa uma fotografia com uma palheta de cores saturada, que trás um ar nostálgico e romântico ao período retratado. Somada a uma direção de arte que não faz feio ao ser exigida em tomadas mais abertas. A respeito da atuação dos atores que fazem o casal principal, o que vemos é um mimetismo do modo de agir público do casal Obama trazido para as suas intimidades. Funciona se formos ingênuos o suficiente para acreditarmos nesse comportamento.

Um filme delicado, com uma proposta arriscada mas muito bem executada, “Michelle e Obama” corre o risco de perder o seu valor cinematográfico se comparado ao peso político que a obra assume. Quando isolado dessa forte vertente, o filme torna-se sutil e romântico.

 

 

Festival do Rio 2016 – Panorama do Cinema Mundial

MICHELLE E OBAMA (Southside With You )

Estados Unidos, 2016. 80 min.

De  RICHARD TANNE

Com TIKA SUMPTER, PARKER SAWYERS, VANESSA BELL CALLOWAY

 

Avaliação Gabriel Gaspar

Nota 3