Mimosas

Provação de Fé

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23 de outubro de 2016

“Mimosas” de Oliver Laxe é um filme feito em coprodução entre Marrocos, França, Qatar e Espanha, ganhador da Semana da Crítica em Cannes 2016. Com certeza muitas ideias originais fluem aqui, mas ao mesmo precisava de um pouco de firmeza que talvez por ser apenas seu segundo filme, tenha faltado a Oliver para manter sua obra nos trilhos. O início promete e muito: simultaneamente a uma empresa de táxis contratar novos empregados numa Marrocos pobre, ao mesmo tempo uma caravana, trajando roupas que parecem se situar no passado, tenta atravessar deserto e montanhas de neve para levar um Sheik moribundo que deseja ser enterrado na terra medieval de Sijilmasa, onde as pessoas poderão ir em peregrinação visitar seu túmulo.

Porém, os primeiros guias designados são uma dupla que primeiramente desejava roubar a caravana e só pensavam em ser pagos pelo serviço, e, depois, um outro homem que vem da segunda narrativa dos taxistas chega alegando saber o caminho certo. A eles ainda se juntam um pai e uma filha humildes. Na verdade, grande parte da narrativa, dividida em três capítulos (reverência, de pé, prostração = como três partes de como se rezar), é levada pela força dos dois personagens centrais, o ladrão e o taxista, que disputam uma provação de fé. O taxista começa o filme com uma parábola muito interessante que permeia a história: quando Deus inseriu a alma no primeiro ser humano, Adão, o diabo teria se curvado só o bastante fingindo reverência para aprender o segredo da alma humana e tentá-la até o final dos tempos.

Por isso as provações da caravana são muito maiores do que apenas o tempo e a geografia belíssimas da fotografia em grandes planos e panorâmicas do filme, e sim em relação à alma. Mesmo quando atacados esporadicamente por tiroteios no meio das montanhas, o que interessa à narrativa muito mais reflexiva é saber no que eles acreditam ou posam vir a acreditar. O problema é que toda esta premissa interessante resvala num vazio estético por pelo menos todo a segunda terça parte do filme, e depois na terça parte final a subjetividade da mistura dos dois tempos cronológicos, com roupas e prédios do passado e do presente, começam a se misturar de forma não criativa, simplesmente vã e tola.

Mostra de São Paulo 2016

Mimosas  (idem)

Marrocos / Espanha / França / Qatar, 2016. 93 min

De Oliver Laxe

Com Ahmed Hammoud, Shakib bem Omar, Said Aagli


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