Minions

Spin-off dos simpáticos amarelinhos diverte, mas fica aquém dos filmes que o originaram

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25 de junho de 2015

Em 2010, carismáticas criaturinhas amarelas apaixonadas por banana ganharam o mundo após a sua aparição na animação “Meu Malvado Favorito”. Três anos depois, os mesmos amarelinhos, os minions, roubam a cena na continuação “Meu Malvado Favorito 2” e viram uma enorme febre mundial entre pessoas de todas as idades, ganhando o primeiro teaser para um spin-off solo nos créditos do mesmo. Intitulado simplesmente “Minions”, o filme chega aos cinemas dois anos depois e revela a origem dos seres amarelos, existentes desde o período pré-histórico, e sua busca por um vilão para servir, que atravessa períodos História da humanidade em sequências divertidíssimas – infelizmente reveladas no trailer.

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O filme se passa em 1968, 42 anos A.G. (Antes de Gru). Os minions estão deprimidos após um longo intervalo de tempo sem um mestre vilão e três deles se voluntariam para partir à procura de um novo chefe. Quando Kevin, Stuart e Bob chegam em Nova York, ficam sabendo de uma convenção de vilões (a Villain Con, uma clara referência à Comic Con) e lá conhecem a ambiciosa vilã Scarlet Overkill (Sandra Bullock/Adriana Esteves). Atrapalhados, os minions vão parar em Londres e intercalam bom desempenho com momentos de desastre que acabam dando certo, assim como o roteiro de Brian Lynch (“Gato de Botas”), que possui ritmo inconstante e se perde em alguns pontos. Com um enredo medianamente satisfatório, “Minions” começa muito bem ao mostrar a origem dos simpáticos amarelinhos, mas vai se perdendo ao longo da fita, com a inserção da vilã Scarlet e de seu marido Herb Overkill (Jon Hamm/ Vladimir Brichta), que não são interessantes como deveriam e pouco acrescentam ao longa, do mesmo modo que o 3D, que funciona bem apenas na cena introdutória. Já a figura da Rainha Elisabeth II é bastante divertida.

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O trio minion principal Kevin, Stuart e Bob lembra em certos aspectos o trio Alvin, Simon e Theodore, respectivamente, da animação “Alvin e os Esquilos”: tanto um grupo quanto o outro é engraçadinho, as personalidades são correspondentes, eles são gulosos, bagunceiros e a linguagem é por vezes difícil de entender (os minions misturam palavras do espanhol, inglês, francês e italiano e elementos do russo e coreano, e os esquilos falam muito rápido e de uma forma que parece que inalaram gás hélio). Não que a semelhança seja algo negativo, mas tem apelo maior junto ao público infantil. Por outro lado, a maior diferença entre os comedores de banana e os esquilos cantores é que estes funcionam bem como protagonistas, enquanto os minions funcionam melhor como coadjuvantes, como eles mesmos assumem ao precisarem de um líder vilão (o seu oposto) para se sentirem felizes e motivados. É justamente esta necessidade que justifica a sua existência no mundo. Eles roubaram a cena nos dois filmes da franquia “Meu Malvado Favorito” por serem fofos e carismáticos, mas não deixaram de coadjuvar nas tramas.

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Dirigido por Pierre Coffin (que dublou todos os minions nesse filme) e Kyle Balda, “Minions” tem como maior trunfo o fato de se passar no final dos anos 60, dando margem a diversas referências culturais através de imagens e da trilha sonora, como o movimento hippie, a chegada do homem à Lua, os Beatles, Jimi Hendrix, The Doors e Rolling Stones, que fisgam em cheio os adultos num filme mais voltado para as crianças. A boa dublagem em português é outro ponto positivo do filme, já que estas cópias serão presença de maioria esmagadora nas salas de cinema brasileiras. Como entretenimento descompromissado para fazer rir, “Minions” funciona bem, mas não será uma animação inesquecível como suas predecessoras.

Obs.: Os créditos complementam o filme, então não saia da sala até que acabem.

 

 

Minions (Idem)

EUA – 2015. 91 minutos.

Direção: Pierre Coffin e Kyle Balda

Com: Sandra Bullock, Jon Hamm, Jennifer Saunders, Geoffrey Rush, Michael Keaton, Allison Janney, Steve Coogan e Pierre Coffin.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3