Morte Acidental de Um Anarquista aborda temas atuais

Comédia de Dario Fo provoca reflexão sobre o poder

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19 de outubro de 2015

MADUA 001 Alguns autores são atemporais e Dario Fo, que escreveu “Morte Acidental de Um Anarquista”, é mais um deles. Escrito em 1970, a peça tem marcante tom de farsa, e é inspirada em acontecimentos reais, envolvendo a morte de ativistas políticos no final dos anos 60. O autor buscou um teatro provocativo e acabou conseguindo um texto que foi capaz de adaptar as décadas seguintes, nos mais variados países onde foi montado.

MADUA 003O espetáculo começa com os atores já em cena aguardando o público e com a “quarta parede” sendo quebrada. A quarta parede é aquela que separa o público da plateia e aqui o diálogo é constante. Atores fazem uma espécie de “aquecimento” para o espetáculo, onde explicam a origem da montagem, apresentam o autor e pontuam sua importância no teatro. Criando uma experiência diferenciada para o público.

5DIII © Joao Caldas Fº

A trama acompanha um louco (Dan Stulbach), acusado de falsa identidade, devido a ser um maníaco por personagens, especialmente autoridades. Na delegacia, ele se passa por um juiz durante a investigação no caso de morte do anarquista. A polícia afirma que ele teria se jogado pela janela do quarto andar.  A imprensa e a população acreditam que foi jogado. O que teria acontecido realmente?

5DIII © Joao Caldas Fº

Diante dessa proposta, o diretor Hugo Coelho decidiu preservar a essência do texto original, eliminando apenas referências italianas e a época em que se passava. A montagem combina perfeitamente com o Brasil atual, sua política, justiça e “verdades”. Capitaneados por Dan Stulbach e Henrique Stroeter, que interpreta o delegado, a comédia traz no elenco também Fernando Sampaio, Riba Carlovich e Maira Chasseraux. O elenco funciona em harmonia com o texto. O resultado final é uma bela combinação de deboche, ficção, crítica, provocação e reflexão.

5DIII © Joao Caldas Fº

 

 

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA

 

Onde: Teatro Porto Seguro. Al. Barão de Piracicaba, 740 (tel.: 4003-1212).

Quando: 4ª e 5ª, 21h. (Até 10/12)

Quanto: R$ 40 e R$ 50.

Duração: 80 min

Classificação etária: 12 anos