Mostra dedicada ao cineasta americano Thom Andersen, um dos nomes mais importantes da atualidade

Entre os dias 15 e 21 de setembro o cinema do IMS-RJ exibe a mostra Hollywood e além: O cinema investigativo de Thom Andersen, com 19 filmes, entre longas e curta-metragens – sendo 18 deles inéditos no Rio de Janeiro

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15 de setembro de 2016

Entre os dias 15 e 21 de setembro o cinema do IMS-RJ exibe a mostra Hollywood e além: O cinema investigativo de Thom Andersen, com 19 filmes, entre longas e curta-metragens – sendo 18 deles inéditos no Rio de Janeiro –, que celebram a obra de Thom Andersen (1943), um dos mais importantes cineastas americanos da atualidade, e de artistas vinculados a ele. A curadoria é de Aaron Cutler e Mariana Shellard, que estarão presentes durante as sessões e participarão de um debate na noite de abertura (15), às 19h15, com Lucas Murari, curador de cinema e pesquisador doutorando do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A mostra conta com 12 filmes de Andersen. Alguns destaques são seu longa mais recente, Os pensamentos que outrora tivemos (2015), um estudo pessoal sobre a teoria do cinema do filósofo Gilles Deleuze, e a estreia latina de seu curta-metragem Um trem chega à estação (2016), que estreou no Festival de Locarno este ano. Outro destaque é sua obra mais conhecida, Los Angeles por ela mesma (2003), uma análise da complexa relação entre a cidade de Los Angeles e a indústria cinematográfica hollywoodiana.

Hollywood e além: O cinema investigativo de Thom Andersen exibirá também sete obras recentes de artistas americanos contemporâneos – Adam R. Levine, Ross Lipman, Peter Bo Rappmund e Billy Woodberry – que trabalharam com Andersen e cujos próprios filmes compartilham muitos dos temas do cineasta, em especial, o uso do cinema como forma de resgatar o passado.

Thom Andersen leciona na Escola de Cinema e Vídeo no California Institute of the Arts (CalArts), em Los Angeles, desde 1987. Seu trabalho consiste em estudos sobre as origens do cinema moderno, políticas da indústria cinematográfica americana, construções do imaginário urbano de Hollywood e singelos espaços urbanos.

PROGRAMAÇÃO

 

Quinta-feira | 15 de setembro

19h15

Os pensamentos que outrora tivemos (105 min.)

Sessão seguida de debate entre Aaron Cutler, Mariana Shellard e Lucas Murari

 

Sexta-feira | 16 de setembro

20h

— ——- (Um filme de rock ‘n’ roll) (11 min.)

Reconversão (69 min.)

Um trem chega à estação (15 min.)

 

Sábado | 17 de setembro

15h

Los Angeles por ela mesma (170 min.)

 

18h30

A trilogia de Tony Longo (14 min.)

Topofilia (62 min.)

 

20h

California Sun (4 min.)

Get Out of the Car (34 min.)

Tectonics (60 min.)

 

Domingo | 18 de setembro

15h

Marseille Après La Guerre (11 min.)

E quando eu morrer, não ficarei morto… (90 min.)

 

17h

Notfilm (129 min.)

Film (22 min.)

 

20h

Olivia’s Place (6 min.)

Juke – Passagens dos filmes de Spencer Williams (29 min.)

Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo (59 min.)

 

 

Terça-feira | 20 de setembro

20h

Koh (2 min.)

Hollywood Vermelha (114 min.)

 

Quarta-feira | 21 de setembro

20h

Os pensamentos que outrora tivemos (105 min.)

 

SINOPSES

— ——- (Um filme de rock ‘n’ roll)

(— ——- (akaThe Rock ‘n’ Roll Movie), EUA, 1967, 11 min., 16 mm para blu-ray, livre

Direção, produção e montagem: Thom Andersen e Malcolm Brodwick

 

Andersen: “Em — ——-, nós tentamos reconciliar o cinema formalista com o cinema documental, fazendo um documentário sobre o rock ‘n’ roll em que as partes se relacionariam formalmente em vez de tematicamente. Nós começamos com uma forma dialética simples. Os planos e segmentos de som tornam-se progressiva e gradualmente longos a cada duas unidades. Dentro de cada unidade, a primeira parte possui metade da duração da segunda. Malcolm editou a sequência de sons, e eu construí a sequência de imagens; porém, nós trabalhamos independentemente. A relação entre imagem e som em qualquer ponto do filme é determinada pelo acaso.”

 

A trilogia de Tony Longo

(The Tony Longo Trilogy, EUA, 2014, 14 min., DCP, livre)

Direção, pesquisa e produção: Thom Andersen; montagem: Andrew Kim e Peter Bo Rappmund

 

Andersen percebeu o ator coadjuvante Tony Longo (1961-2015) no filme The Takeover (1995) durante o processo de remasterização de Los Angeles por ela mesma. Ao pesquisar sua carreira, descobriu que o ator havia participado com pequenos papeis em mais de 100 filmes de ação hollywoodianos. Focando em todas suas cenas em The Takeover, Cidade dos sonhos (2001) e Vivendo em perigo (1997), Andersen cria uma trilogia dramática na qual Longo, um doce brutamontes, é tragicamente traído pelas circunstâncias, no curso da execução de seu trabalho.

 

California Sun

(California Sun, EUA, 2015, 4 min., DCP, livre)

direção: Thom Andersen; montagem: Andrew Kim

 

A música “California Sun”, composta por Henry Glover e Morris Levy, em 1961, foi regravada pela banda The Farmingdale Sound Machine, que produziu um videoclipe utilizando cenas de Los Angeles por ela mesma. Após assistir ao videoclipe, Andersen decidiu fazer sua própria versão, que foi divulgada pela banda. Depois de uma cena introdutória de A marca da maldade (1958), a música começa, acompanhada por cenas de filmes hollywoodianos que retratam com uma literalidade graciosa os versos sobre o prazer de viajar para um novo lugar.

 

E quando eu morrer, não ficarei morto…

(And When I Die, I Won’t Stay Dead…, EUA/Portugal, 2015, 90 min., DCP, livre)

Direção, roteiro e narração: Billy Woodberry

 

Primeiro filme de Woodberry depois de um período de mais de 30 anos, trata da vida do poeta norte-americano Bob Kaufman (1925-1986), que participou e influenciou o meio artístico de São Francisco e Nova York dos poetas da geração beat, como Amiri Baraka, Allen Ginsberg e Jack Hirschman. De origem negra e judaica, Kaufman foi perseguido durante toda sua vida por questões raciais e políticas. O poeta marginal reagiu à repressão de sua época ao explorar as dimensões místicas da vida, muitas vezes nas celas de prisões, em crônicas épicas que fundem prosa e poema e detêm um humor ácido das ruas. O filme de Woodberry mergulha na vida de Kaufman por meio de leituras de seus poemas gravadas na época, fotografias, registros policiais e entrevistas com amigos, parentes, editores e teóricos.

 

Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo

(Eadweard Muybridge, Zoopraxographer, EUA, 1975, 57 min., 16 mm para restauração em 35 mm para DCP, livre)

Direção, produção e roteiro: Thom Andersen; narração: Dean Stockwell; música: Michael Cohen; colaboração: Fay Andersen e Morgan Fisher

 

O primeiro longa-metragem de Andersen faz uma análise dos estudos sobre o movimento, principal projeto do fotógrafo Eadweard Muybridge (1830-1904). Nascido na Inglaterra, Muybridge migrou para os Estados Unidos em 1850, onde viveu até uma década antes de sua morte. Em 1880, recebeu amplo apoio da Universidade da Pensilvânia para desenvolver esses estudos, compostos por mais de 100 mil imagens fotográficas de animais e humanos executando diferentes atividades esportivas e cotidianas. Andersen mostra a abrangente variedade de tipos físicos fotografados por Muybridge, animados no filme, como homens e mulheres atléticos, gordos, deficientes físicos e mentais, em ações simples e corriqueiras, descrevendo o olhar objetivo e não hierárquico do fotógrafo. O filme expõe o papel inovador de Muybridge tanto sob o aspecto tecnológico como sociológico, mostrando o caráter progressista de suas imagens, que expunham homens e mulheres despidos em cenas de afeto em um período ainda muito conservador.

 

Film

(Film, 1965, EUA, 22 min., restauração em 35 mm para DCP, livre)

 

Concepção e roteiro: Samuel Beckett; direção: Alan Schneider; fotografia: Boris Kaufman; montagem: Sidney Meyers; produção: Barney Rosset; elenco: Buster Keaton, Nell Harrison, James Karen e Susan Reed

 

A frase do filósofo Bishop Berkeley “esse est percipi” (“ser é perceber”) inspirou o único filme do dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett, realizado cinco anos antes dele ganhar o prêmio Nobel de Literatura. Mudo e em preto e branco, Film é uma perseguição entre dois personagens: E (eye/olho), o olhar subjetivo da câmera, e O (objeto), interpretado pelo já velho Buster Keaton. O tenta desesperadamente evitar ser percebido enquanto foge cambaleando pela rua até se trancar em um quarto cheio de olhos, onde continua sua batalha por autoaniquilação.

 

Get Out of the Car

(Get Out of the Car, EUA, 2010, 34 min., 16 mm para DCP)

Direção e produção: Thom Andersen; fotografia: Madison Brookshire, Adam R. Levine e Deborah Stratman; montagem: Adam R. Levine

 

O filme, homônimo de uma música de Richard Berry, é um registro de uma cidade em transformação. Outdoors desgastados, monumentos invisíveis, letreiros de comércios populares e grafites religiosos indicam a variedade cultural de Los Angeles. As imagens são acompanhadas por músicas radiofônicas que refletem os locais e por comentários entre Andersen e os passantes sobre o futuro dos objetos retratados, da cidade, do filme e do próprio cineasta.

 

Hollywood vermelha

(Red Hollywood, EUA, 1996, 114 min., DCP, livre)

Direção, produção, roteiro e montagem: Thom Andersen e Noël Burch; narração: Billy Woodberry

 

Esta parceria entre Andersen e o cineasta e teórico Noël Burch nasceu de um artigo controverso escrito por Andersen em 1985, em que defende que os artistas incluídos na Lista Negra hollywoodiana, surgida na década de 1940, eram relevantes e dignos de pesquisa. Hollywood vermelha utiliza cenas instigantes de filmes da época para retratar como muitos dos artistas foram condenados por defender opiniões socialmente progressistas. Entre as obras destacadas, estão A força do mal, Johnny Guitar, Justiça injusta, Mulher marcada e O sal da terra, que são intercaladas por entrevistas com os quatro roteiristas e diretores remanescentes da época: Paul Jarrico, Ring Lardner Jr., Alfred Levitt e Abraham Polonsky. Ao discutir a Lista Negra, o filme também aborda a postura isolacionista dos Estados Unidos na Guerra Civil Espanhola, na Segunda Guerra Mundial, na Guerra Fria, entre outras.

 

Juke – Passagens dos filmes de Spencer Williams

(Juke – Passages from the Films of Spencer Williams, EUA, 2015, 29 min., DCP, livre)

Direção, concepção e produção: Thom Andersen; montagem: Thom Andersen e Andrew Kim

 

Andersen explorou um tema que há muito tempo lhe interessava −̶ a obra do cineasta e ator negro americano Spencer Williams (1893-1969). Entre 1941 e 1947, Williams produziu nove filmes (atuando em oito deles) dos quais seis sobreviveram. Eram classificados como “filmes de raça” (feitos por e para negros) e foram criticados durante anos pela aparência amadorística. Andersen compila cenas desses seis filmes −̶ os mais conhecidos são O Sangue de Jesus e Desce, Morte! –, mostrando a habilidade do cineasta em retratar a comunidade negra, sua religiosidade e moral, em registros tocantes sobre a cultura e a época de um país.

 

Koh

(Koh, EUA/Tailândia, 2010, 2 min., DCP, livre)

Direção, fotografia, montagem, desenho de som e produção: Adam R. Levine

 

Levine filmou em preto e branco, em uma ilha no golfo da Tailândia e posteriormente processou o filme a mão. Sucinto como um haicai, Koh mostra o amanhecer, o mar e pescadores em um pequeno barco. O próprio Levine gerou uma versão digital em alta resolução do filme para esta mostra.

 

Los Angeles por ela mesma

(Los Angeles Plays Itself, EUA, 2003, 170 min., DCP, livre)

Direção, produção e roteiro: Thom Andersen; montagem: Yoo Seung-Hyun; narração: Encke King; fotografia: Deborah Stratman

 

Os excluídos de Hollywood persistem como tema diagonal do diretor que, aqui, investiga com uma narração de tom amargo e pessoal a construção mitológica do cinema hollywoodiano sobre a cidade de Los Angeles. O mito e a cidade são contrapostos por cenas de filmes hollywoodianos e imagens filmadas em 16 mm para ilustrar o impacto local da indústria cinematográfica e seu desprezo sobre a cidade que a abriga. Protagonistas que representam autoridades impotentes frente à decadência e à criminalidade epidêmica delineiam os residentes da cidade do pecado, como Jake Gittes (Jack Nicholson), em Chinatown, e Rick Deckard (Harrison Ford), em Blade Runner̶ − O caçador de andróides. Andersen também cria um contraponto com os filmes daqueles que retrataram as reais dificuldades da cidade e de seus moradores mais desprezados, por um sistema social que muitas vezes se confunde com a indústria. Entre eles, Uma mulher sob influência e o movimento neorrealista americano, do qual fizeram parte filmes independentes, como Bless Their Little Hearts e O matador de ovelhas.

 

Marseille Après La Guerre

(Marseille Après La Guerre, EUA/Portugal, 2015, 11 min., DCP, livre)

Direção, roteiro, montagem e narração: Billy Woodberry

 

O filme mais recente de Woodberry nasceu durante uma pesquisa sobre o National Maritime Union, ao encontrar nos arquivos do sindicato americano uma caixa com fotos tiradas entre 1940 e 1950, nas docas de Marselha. As fotos remeteram Woodberry à vida do escritor e cineasta senegalês Ousmane Sembène (1923-2007), cujo trabalho como estivador e metalúrgico na França e sua participação nos movimentos sindicalistas da época inspiraram seu primeiro romance, Le docker noir. A lembrança do livro, que descreve o preconceito racial vivido por africanos na França, contagia a fotomontagem do filme, cujas imagens mostram solidariedade entre trabalhadores de origens diferentes.

 

Notfilm

(Notfilm, EUA/Reino Unido, 2015, 129 min., DCP, livre)

Direção, roteiro, fotografia, montagem e narração: Ross Lipman

 

Intrigado com a história da produção de Film, o único filme realizado pelo escritor Samuel Beckett (1906-1989), seu restaurador Ross Lipman decidiu contá-la em um documentário que explora diferentes aspectos de sua realização. Film contou com uma equipe de gigantes de vanguarda do século XX, que se reuniu no Lower East Side, em Nova York, em 1964, para rodar a obra. Entre eles, estavam o produtor Barney Rosset, fundador da Grove Press, editora americana de William S. Burroughs, Henry Miller e do próprio Beckett; Alan Schneider, importante diretor de teatro, escolhido pelo autor para dirigir o filme, também o único de sua carreira; Boris Kaufman, irmão de Dziga Vertov e cinegrafista dos filmes de Jean Vigo; e Buster Keaton, o comediante mais autorreflexivo da era do cinema mudo. Lipman reconstrói e narra a história desse encontro a partir de diversos materiais de arquivo.Também são apresentadas entrevistas originais gravadas em preto e branco com pessoas relacionadas à equipe, e outras diretamente envolvidas com a produção, incluindo o próprio Rosset, um pouco antes de sua morte.

 

Olivia’s Place

(Olivia’s Place, EUA, 1966-1974, 6 min., 16 mm para DCP, livre)

Direção: Thom Andersen; fotografia: John Moore; montagem: Morgan Fisher

 

Filmado em 1966 e editado oito anos depois, este estudo de um emblemático diner de Los Angeles tornou-se um manifesto. Andersen e Moore comentam: “Em 1970 ou 1971, Bill Norton filmou ali uma cena de Cisco Pike. O restaurante Olivia’s Place também inspirou a música ‘Soul Kitchen’, do The Doors. Foi demolido em 1972 ou 1973 como parte de um projeto de revitalização urbana que transformou o centro de Santa Mônica em um bulevar de lojas e restaurantes caros, incluindo os restaurantes de Wolfgang Puck e Arnold Schwarzenegger.”

 

Os pensamentos que outrora tivemos

(The Thoughts that Once We Had, EUA, 2015, 105 min., DCP, livre)

Direção e produção: Thom Andersen; montagem: Andrew Kim; montagem adicional: Christine Chang

 

Inspirado nas aulas que ministrava na CalArts sobre a relação do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) com o cinema, Andersen conta “uma história pessoal do cinema” −̶ como diz o próprio intertítulo de abertura − a partir de filmes que Deleuze aborda nos livros A imagem-movimento e A imagem-tempo, e de outros filmes que ilustram os conceitos neles descritos. O longa-metragem mais recente de Andersen é conduzido por intertextos que aparecem entre cenas dos filmes, compostos por três vozes distintas: citações dos livros de Deleuze, citações de outros artistas e teóricos, como Walter Benjamin e Jack Smith, e comentários do próprio cineasta. O filme começa com a descoberta da dramaticidade da expressão facial por D.W. Griffith, caracterizada por Deleuze como a “imagem-afecção”, conceito que Andersen estende para incluir os cineastas Jean-Luc Godard, John Cassavetes e Pedro Costa, e suas respectivas musas Anna Karina, Gena Rowlands e Vanda Duarte. E segue mostrando ciclos de destruição e restauração que espelham a história recente da humanidade.

 

Reconversão

(Reconversão, EUA/Portugal, 2012, 69 min., digital, livre)

Direção e roteiro: Thom Andersen; fotografia: Peter Bo Rappmund; gravação de som: Christine Chang; montagem: Adam R. Levine e Christine Chang; montagem de som: Andrew Kim; narração: Encke King

 

O filme explora 17 projetos do renomado arquiteto português Eduardo Souto de Moura, nascido na cidade do Porto, em 1952. Souto de Moura especializou-se na conversão de ruínas em edifícios modernistas habitáveis, utilizando o próprio material do local. Andersen ilustra as ideias do arquiteto por meio de sequências fotográficas em time-lapse das construções, criando um movimento intermitente que reflete o contraste entre o antigo e o novo. Entre os projetos apresentados estão uma casa residencial em Porto Manso, Baião, os centros culturais Casa das Artes, no Porto, e Mercado Cultural do Carandá, em Braga, um projeto para um viaduto em Lisboa, o Estádio Municipal de Braga e a rede metroviária do Porto. As imagens são acompanhadas por um sutil som ambiente e por uma narração que reúne frases extraídas de textos de Souto de Moura e comentários de Andersen, criando um diálogo entre dois artistas.

 

Tectonics

(Tectonics, EUA, 2012, 60 min., DCP, livre)

Direção, fotografia, montagem, desenho de som e produção: Peter Bo Rappmund

 

O segundo longa-metragem de Rappmund é um estudo sobre as placas tectônicas que coincidem com a fronteira entre os Estados Unidos e o México, realizado em uma viagem que inicia no golfo do México e termina no Pacífico, na divisa entre o estado americano da Califórnia e o estado mexicano da Baixa Califórnia. Como em seus outros filmes, Rappmund faz registros fotográficos em time-lapse, criando um lapso temporal em que a permanência da paisagem se sobrepõe à efemeridade da presença humana. Vestígios humanos delineiam as imagens, como muros, estradas, torres de eletricidade e bandeirinhas nacionais. O vento, o fluxo de águas e automóveis, passos, ondas de rádio captando músicas latinas e outros rastros sonoros acompanham as imagens; porém, não são completamente decifráveis, espelhando a realidade muda de muitos que atravessam a linha.

 

Topofilia

(Topophilia, 2015, 62 min., DCP, livre)

Direção, fotografia, montagem, desenho de som e produção: Peter Bo Rappmund

 

O filme mais recente de Rappmund acompanha a extensão de mais de 1.200 quilômetros do oleoduto Trans-Alaska (TAPS), no extremo norte dos Estados Unidos, em funcionamento desde 1977. Utilizando o mesmo método de animação de seus filmes anteriores, o percurso inicia com o trabalho pesado em Prudhoe Bay, no litoral do Alasca, onde existe a maior refinaria de petróleo da América do Norte. Os ruídos mecânicos e a movimentação frenética da indústria contrastam com o silencioso e amplo horizonte da região. Deslocando-se para o interior do estado, a paisagem árida natural passa a ser cortada pelo oleoduto. Em meio a cadeias de montanhas, técnicos da manutenção atuam como organizadores da paisagem expansiva para proteger o oleoduto; porém, a comunhão local entre a natureza e o homem abriga implícita e permanentemente a possibilidade de um desastre ecológico. Os sinais de milhagem que demarcam o comprimento do oleoduto aparecem camuflados na paisagem e em close-ups que alertam para o perigo desse sistema.

 

Um trem chega à estação

(A Train Arrives at the Station, 2016, 15 min., DCP, livre)

Direção e produção: Thom Andersen; montagem: Andrew Kim e Christine Chang

 

Andersen escreveu sobre seu filme mais recente: “Ele surgiu do trabalho de Os pensamentos que outrora tivemos. Havia uma cena em particular que tivemos que cortar, cuja perda eu lamentei. Era uma cena de um trem chegando na estação de Tóquio de O filho único, de Yasujiro Ozu. Decidi fazer um filme em torno dela, uma antologia de chegadas de trem. Ele contém 26 planos e cenas de filmes entre 1904 e 2015. Ele possui uma estrutura serial simples: cada sequência em preto e branco na primeira metade rima com uma sequência colorida na segunda metade. Dessa forma, o primeiro e o último planos mostram trens chegando em estações no Japão vistos de baixo para cima. No primeiro plano (O filho único), o trem se desloca para a direita; no último plano, ele se desloca para a esquerda. Um trem bala substituiu a locomotiva a vapor. Depois de todos esses anos, eu fiz outro filme estrutural, apesar dessa não ser minha intenção original.”

 

R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)

Ingressos disponíveis também em www.ingresso.com

Disponibilidade de ingressos sujeita à lotação da sala.

 

O CINEMA DO IMS NÃO ABRE ÀS SEGUNDAS-FEIRAS

 

Instituto Moreira Salles

Rua Marquês de São Vicente, 476

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