‘Motorrad’: Rali autista de Vicente Amorim não encanta

Longa estreia nesta quinta, dia 1.

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28 de fevereiro de 2018

“Motorrad” é o mais recente investimento do diretor Vicente Amorim em enveredar por uma trilha muito pouco explorada no cinema nacional. Na sinopse, um grupo de motoqueiros liderados por Ricardo (Emílio Dantas) sai em busca de aventura e acabam fazendo uma trilha em um local proibido, cercado por belezas naturais. Mas a atmosfera de tranquilidade é transformada em medo e morte com o grupo sendo perseguido por uma gangue de assassinos sádicos.

"Motorrad" referencia a franquia "Mad Max" (Foto: Divulgação).

“Motorrad” referencia a franquia “Mad Max” (Foto: Divulgação).

Com claras referências à “Mad Max” e aos trabalhos de Rob Zombie, Amorim investe em um visual sujo e arenoso emoldurado por um belo trabalho fotográfico de Gustavo Adba (“O Rastro”) e muito rock salientando um clima apocalíptico e desolador com belas tomadas da Serra da Canastra (MG). Mas ao trabalhar com clichês predatórios (jogo de gato e rato), especialmente em filmes de gênero, há de se ter cuidado para não sofisticar demais uma linguagem onde a tensão e a identificação andam de mãos dadas.

Aqui o conteúdo fala mais alto e o ronco dos motores é muito mais ameaçador que o próprio filme. Além dos malabarismos cênicos e dos recursos visuais (como o chupão das cenas), o roteiro assinado por LG Bayão (baseado numa HQ de Danilo Bayruth) carece de estofo e credibilidade. Amorim não se sai bem nas cenas de ação e a edição prejudica a assimilação primária com o espectador que se espanta com revelações e comportamentos sem nenhum sentido (ex: porque não beber água do lago, o grupo não perceber o amigo enforcado em um espaço aberto, a personagem se esconder a noite com um sinal luminoso aceso entre outras derrapagens que contribuem para a ineficiência da trama).

Infelizmente “Motorrad” é apenas um inocente rascunho onde Vicente Amorim, sempre antenado no mercado internacional, não faz nenhuma concessão e se encanta apenas com as referenciasdo gênero, esquecendo de dar partida em seu rali autista.

 

Avaliação Zeca Seabra

Nota 3