Mr. Holmes

Personagem maior do que o filme

por

21 de janeiro de 2016

Ian McKellen já havia trabalhado antes com o diretor Bill Condon no fenomenal “Deuses e Monstros”, um dos primeiros filmes em que Hollywood reconheceu o monstruoso talento deste ator europeu. De lá pra cá, ambos coincidentemente chegaram a investir suas carreiras em tentar dar credibilidade a filmes mais comerciais, o primeiro atuando nas sagas “O Senhor dos Anéis” e “X-Men” e o segundo dirigindo capítulos da saga “Crepúsculo”. Ambos se despiram do lado mais Hollywood e dos vícios inerentes aos trabalhos anteriores para retomar um espírito mais europeu de fazer filme. Um pequeno drama com toques de humor ácido britânico. Mas não sobre qualquer personagem: Sherlock Holmes.

20150214-mr.-holmes-7

Mais em voga do que nunca, decidiram retratar o personagem em um lado pouco visto de sua persona: a senilidade. Com mais de 90 anos, é assim que começa a história de “Mr. Holmes”, contando como se aposentou com um último caso que lhe está enlouquecendo caso não consiga resolver. E para tanto, serve-se da ajuda entusiasmada do filho de sua caseira (a ótima, porém aqui apenas correta Laura Linney). De fato, McKellen se desfez de muitos cacoetes que absorveu para seus últimos famosos personagens que vem interpretando há um tempinho, para construir minuciosamente a nova personalidade. Um Holmes cansado, rabugento, desacreditado. É no garoto que ressuscita sua sagacidade detetivesca e ajuda a quebrar paradigmas de como os fãs de suas histórias lhe vêem de forma romanceada.

download (4)

Um filme de fotografia solar, ótima maquiagem para envelhecer ou rejuvenescer um pouco o personagem, e com bons momentos, principalmente quando a investigação do passado entra em sincronia com o presente. Porém, padece de perda de ritmo quando não decide em qual tempo investir, ou quando a identidade visual do filme para além da fotografia ou da reconstituição de época não ajuda a tecer nada novo na loucura do personagem. Infelizmente, não agrega algo novo ao manancial sherlockiano existente, e traz poucas emoções à tona para momentos comedidos um pouco frios. Ainda assim, uma aula de atuação de McKellen e um mundo muito belo que poderia ter sido melhor explorado.

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3