‘Mulher-Maravilha’

Protagonizado por Gal Gadot, longa entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 1, como a nova aposta da DC/Warner.

por

01 de junho de 2017

O Super-Homem mudou o curso da história por causa da mulher. O filme “Mulher-Maravilha” nos ensina que o feminino, que educou a maioria da humanidade por séculos e séculos, tem através do amor um jeito poderoso de encarar desafios. A beleza do roteiro Allan Heinberg, a partir da história criada por ele com Zack Snyder, e Jason Fuchs foi colocada nas mãos da diretora Patty Jenkins para revelar uma heroína que muito além dos super poderes é uma guerreira dos seus ideais. O caminho seguro e competente de colocar a personagem num contexto histórico, a Primeira Guerra Mundial, exibe o maior inimigo da humanidade: a guerra que no passado da trama forjou o universo das amazonas, agora volta a perturbar seu reino.

Gal Gadot brilha como Mulher-Maravilha (Foto: Divulgação).

Gal Gadot brilha como Mulher-Maravilha (Foto: Divulgação).

A bela apresentação de estilo renascentista da mitologia grega mostra a origem de Diana, princesa das Amazonas. Treinada pela tia Antiope como uma guerreira invencível, ela salva o piloto americano Steve Trevor, que, atuando como espião da inteligência britânica, foge dos alemães e acaba penetrando naquele universo escondido por Zeus para proteger as guerreiras. Ao descobrir a maldade da guerra, Diana, contrariando a mãe, a Rainha Hippolyta, deixa a ilha para ajudar nosso mundo a estabelecer a paz.

O amor, em tempos de cinismo, pode parecer um sentimento piegas, mas Mulher-Maravilha deixa claro que ter a coragem de acreditar nisso é a arma mais poderosa. E o filme consegue mostrar essa força, em pensamentos, e principalmente, atos. E não estamos falando só do amor carnal, estamos falando de um amor universal, aquele que nenhuma ameaça pode conter.

A trama ocorre no início do século XX e o filme faz divertido e crítico comparativo sobre o papel da mulher através das décadas. Uma época de muitos desafios em que mulheres como a cientista Marie Curie, a escritora Agatha Christie e a educadora Maria Montessori faziam valer a pena. Na trama citações da história real estão sempre presentes em perigos como gases tóxicos que causam extermínio em vilarejos, como vimos recentemente na Síria ou sons de bombas em Paris.

Patty Jenkins, que dirigiu “Monster: Desejo Assassino”, com aquela atuação vencedora do Oscar de Charlize Theron, soube equilibrar a enorme força da Mulher-Maravilha como uma badass, essencialmente poderosa e ao mesmo tempo tomada de imensa ternura. As cenas de ação envolvem o espectador totalmente cúmplice daquela mulher. E Patty, ao contrário do colega Zach Snyder (de Batman vs Superman), prioriza a ação em cenas mais claras, onde podemos ver o herói nitidamente em ação e nos sentimos convidados para a luta em momentos muito bem coreografados que se sobrepõem aos efeitos visuais mais elaborados.

Gal Gadot e Chris Pine formam uma boa dupla em cena (Foto: Divulgação).

Gal Gadot e Chris Pine formam uma boa dupla em cena (Foto: Divulgação).

No elenco, brilha Gal Gadot, que é totalmente dona do jogo, como a Mulher Maravilha que todos esperávamos. Chris Pine faz de Steve um bom parceiro. Connie Nielsen como a Rainha e Robin Wright, como Antíope, representam a essência da criação de Diana, em atuações totalmente confiantes. Os vilões, atores competentes como Danny Huston, não tem chances tão boas, e tiram um pouco do brilho do duelo.

Criada há mais de 75 anos por William Moulton Marston, escritor de quadrinhos, psicólogo e inventor do polígrafo, o detector de mentiras (que inspirou o laço da verdade), a Mulher Maravilha foi capa da revista Ms., da heroína do feminismo Gloria Steinem, em julho de 72 e foi série de TV de enorme sucesso com Lynda Carter também nos anos 70. Ela está aí há décadas, mas só agora ganha uma superprodução exclusivamente dela nos cinemas. Vivemos o tempo, em que a Lucas Film antecipou a realidade social e de modo corajoso e brilhante fez uma catadora de lixo empunhar um sabre de luz em “Star Wars, o Despertar da Força”, a DC Comics marca um golaço ao realizar esse filme com a mais popular das super-heroínas que sempre esteve no imaginário de bilhões de meninas nas fantasias do carnaval e nas festas da infância, crescendo guerreiras do dia a dia. Agora, depois de “Superman” 1 e 2, de Donner e Lester, dos dois primeiros “Batman” de Nolan, de “Capitão América – Soldado Invernal” e “Logan”, entra para a liga dos melhores filmes de super-heróis já realizados, “Mulher-Maravilha”, da diretora Patty Jenkins.

NOTA: 5


Warning: Invalid argument supplied for foreach() in /home/almanaquevirtual/www/wp-content/themes/almanaque/single.php on line 52