Não há mal algum

Grandes surpresas em narrativas irregulares, mas com grande força do extracampo

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03 de novembro de 2020

Outro dos maiores destaques já pôde ser conferido por este correspondente para a Revista Fórum no início do ano no próprio Festival de Berlim (confira aqui), o ganhador da Berlinale 2020: “Não Há Mal Algum” de Mohammad Rasoulof. Cercado de polêmicas, como a prisão do diretor em sua terra natal, decerto a força política da vida real ajudou na visibilidade da reta final pelo Urso de Ouro.

No entanto, a vitória não se deu sem mérito da própria trama, baseada em fatos reais, que se divide em 4 episódios em torno de famílias aparentemente comuns, e que irão passar por dilemas de vida ou morte na rigidez da violência opressora de um governo despótico no Irã – Sendo 2 destes episódios simplesmente brilhantes, o primeiro e o último. Mas é melhor nem falar muito sobre o tema para não estragar nenhuma surpresa, e sim apenas sobre o extracampo controverso…

Para começar, o diretor foi impedido por seu próprio país de comparecer à cerimônia, enfrentando censuras e processos similares aos de Jafar Panahi, cineasta conterrâneo de Mohammad. Assim, representado por seus produtores e sua filha Baran Rasoulof, também uma das protagonistas da obra, mesmo à distância por Skype acabou sendo pivô de um conflito em plena coletiva de imprensa, quando um jornalista iraniano refutou alguns fatos retratados na trama.

Isso resultou não apenas numa chuva de indignação nas redes por parte do público acompanhando as lives do Festival, que começaram a enviar muitas provas de cada fato alegado na história narrada pelo diretor, como a repercussão da vitória do filme nas manchetes internacionais acabou levando Mohammad a ser preso por sua liberdade de expressão.