Noite de surpresas no Festival de Brasília

Curtas ofuscam longa, Claudio Assis faz protesto inusitado e Demônia - Melodrama em 3 atos mostra sua genialidade

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27 de setembro de 2016

malicia-filme-de-jimi-figueiredoA noite de domingo criou expectativa na capital. Era a exibição de Malícia, de Jimi Figueiredo (do ótimo “Crú”), o único representante de Brasília na competição oficial. O longa que aborda um golpe aplicado via internet e traz atores conhecidos do público, como Viviane Pasmanter e João Baldasserini, decepcionou em qualidade e principalmente em roteiro. Destacando que foi surpreendido por um fator inusitado, provando que o Festival virou uma verdadeira caixinha de surpresas, teve antes de sua exibição os dois melhores curtas dos festivais: Bodas de Papel e  o genial Demônia – Melodrama em 3 Atos. Qualquer produção do festival que fosse exibida após Demônia teria problemas em manter a qualidade que o curta estabeleceu. Diante de um filme fraco, o resultado ficou ainda mais evidente.

360193Protestos já se tornaram uma constante nas noites do Cine Brasília nessa edição do Festival. O que diferenciou a noite do último domingo foi um protesto inusitado por parte do diretor Claudio Assis (“Febre do Rato”, “Big Jato” e “Baixio das Bestas”), que nem filme tinha na noite, mas subiu ao palco e protestou. A organização rapidamente subiu a música e cortou o microfone.

bodas-de-papelHouve uma rápida chuva na cidade e quem se dispôs a ir até o Cine Brasília que lotou foi brindado com o melhor desta edição do festival até agora. A diretora estreante Keicy Martins apresentou Bodas de Papel. Fez uma referência ao seu codiretor e também ator Breno Nina, ausente por problemas com o voo. Um áudio transmitiu a mensagem dele, que foi morador de Brasília e que frisou que o filme era um pedaço da cidade. Bodas de Papel é um trabalho intenso de corpo e câmera e conto com um roteiro com umas viradas interessantes, fruto dos atores Breno e Áurea Maranhão, que se jogaram de cabeça e contribuíram para o resultado. Os diretores contaram que um dos grandes desafios foi pegar tudo que foi escrito e adaptar a realidade daquela locação. Um desafio que quando superado compensou, pelo que foi visto na tela. Bodas de Papel é um confronto entre um cliente e uma entregadora de pizza. Uma situação que vai ficando tensa e que no final da exibição dividiu parte do público.

demoniaNa sequência foi a vez da exibição de Demônia – Melodrama em 3 Atos, de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet, ser apresentado. Demônia surpreende e ousa, como Bodas de Papel. Os dois curtas tem como mérito a ousadia e transgressão. Entretanto, Demônia parece desconhecer limites. O curta que surgiu da incrível obsessão de figuras que a diretora Fernanda Chicolet tem trabalha também com o melodrama em formatos diferentes e quebra a linguagem durante os 3 atos. Demônia, que quanto menos se souber melhor, aborda a viralização e exploração midiática. Os diretores creditam boa parte do sucesso do 3 ato a liberdade que concederam ao montador Thiago Ricarte.  No elenco, Fernanda Chicolet e Vinicius Oliveira (“Central do Brasil” e da série “Unidade Básica”). Demônia foi a grande revelação do festival. Simplesmente genial, brilhante e imperdível. A dobradinha Bodas de Papel e Demônia mostrou que curtas quando bem realizados podem ofuscar muitos longas.