O Abraço da Serpente

Lição histórico-transcendental no resgate indígena das Américas colonizadas

por

17 de fevereiro de 2016

abraco

“O Abraço da Serpente” de Ciro Guerra, ganhador do Art Cinema na Quinzena dos Realizadores de Cannes e indicado ao Oscar 2016 como melhor filme estrangeiro, traz uma narrativa épica, co-produção suntuosa entre Colômbia, Venezuela e Argentina, com fotografia toda em P&B que incrivelmente realça a beleza e mistério da natureza selvagem ao redor. Uma visão histórica da Colômbia pré-FARC e necessária para se herdar as tradições culturais passadas pelos índios desde que os europeus começaram a colonizar e roubar suas riquezas naturais.

o-abraco-da-serpente-2-1280x640

A história segue em duas linhas temporais, guiadas pelo mesmo personagem, ambos atores excelentes na dobradinha, ora o mais novo e ora o mais velho em diferentes maturações de sua jornada, para redimir os erros do passado. Como se fala sobre o interesse dos brancos europeus capitalistas em extorquir as dádivas da terra latina, é uma identificação em comum para todo país que já foi colonizado, além de se universalizar através do tema da alma e espírito, pois algumas folhas naturais que os indígenas cultivavam, apesar de hoje serem tratadas como drogas, como a de coca, já foram utilizadas para a cura, não apenas do corpo como do espírito. E estas práticas e costumes eram tratados com desconfiança quando da aproximação dos colonizadores em querer aprender, e daí vem a lição histórico-transcendental no resgate que o envolvimento narrativo hipnótico traz à tona, como se fosse uma espiral de nobres memórias entorpecidas pelo tempo. Vale ressaltar além do trabalho cênico dos ótimos personagens indígenas, a atuação do ator belga Jan Bijvoet (do notável filme “Borgman” ainda inédito no circuito brasileiro) como um dos colonizadores.

maxresdefault

Com sensibilidade, o filme traça paralelos também com o antes e depois da colonização, uma crítica ao uso da religiosidade como lavagem cerebral à época e como isto degenerou tanto a cultura dos nativos como a de quem colonizava, resultando numa monstruosa quimera cujas consequências são sofridas até hoje. Filme em larga escala com grandes resultados, especialmente para a cinematografia Colombiana, que teve em 2015 três grandes filmes multipremiados internacionalmente, todos com méritos diferenciados, e difíceis de se escolher para representar o país frente ao Oscar, como além do então selecionado “O Abraço da Serpente”, o êxito artístico e singelo de “A Terra e a Sombra” premiado em Cannes com melhor Direção, e o lado feminino da denúncia às FARCs com “Alias Maria”.

o-abraço-da-serpente-2-agambiarra

Warning: Invalid argument supplied for foreach() in /home/almanaquevirtual/www/wp-content/themes/almanaque/single.php on line 52