O Bom Dinossauro

Junção dos clássicos com a modernidade do que a Disney/Pixar ainda reserva para o futuro

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21 de janeiro de 2016

“O Bom Dinossauro”, de Peter Sohn e coproduzido pelos grandes nomes da Pixar em junção com a Disney, é um bom exemplar de animação mais voltado para o público infantil. O que não é um demérito, calcado em narrativa clássica, bem estilo os primórdios da Disney, onde uma criatura encantadora deve passar por lições agridoces, até mesmo um pouco duras, para amadurecer junto com seus pequenos espectadores. E faz isso com imagens impressionantes, demonstrando como sempre um profundo estudo da natureza captada nos cenários. O visual e tema sobre um dinossauro que se perde da família e tem uma grande aventura para reencontrá-la já foi visto, inclusive no filme quase homônimo “Dinossauro” da Disney sem Pixar, que já demonstrava vanguardismo visual de animação por computador. O diferencial desta vez é que o famoso cometa que extinguiu a vida dos dinossauros da Terra, nesta realidade alternativa, não chegou a atingir nosso planeta, permitindo que os dinos evoluíssem no lugar dos seres humanos, que viraram uma espécie selvagem e atrasada a co-habitar o mesmo espaço. É da amizade entre o medroso personagem-título e um humano que mais parece um cachorro destemido que surge a boa química em tela, principalmente graças ao carisma do personagem humano.

produtos-personalizados-o-bom-dinossauro-o-bom-dinossauroBem, o que acontece é que a Disney estabeleceu seus filmes no imaginário de crianças e adultos a partir de adaptações de fábulas clássicas com narrativa tradicional, personagens carismáticas e romances épicos. Já os estúdios da Pixar, braço vanguardista da animação tridimensionalizada, primaram por reinventar a cartilha, com histórias fora do padrão e o cotidiano visto por novos pontos de vistas. Um peixe do mar que vai parar no aquário de casa, o monstro detrás do armário com medo de crianças, um rato que cozinha, um robô que recupera a humanidade das pessoas… Estes e outros filmes ajudaram a imortalizar uma nova era Disney, desde que as duas empresas se fundiram. Porém, de alguns anos para cá, a administração Disney começou a emprestar certas características não muito bem-vindas à Pixar, que ajudaram outrora a prejudicar a antiga imagem do estúdio de Mickey Mouse, como apostar em sequências para o cimema, antes mais voltadas para o mercado caseiro de DVD/Bluray, ou mesmo resgatar narrativas mais clássicas, como de princesas ou bichinhos fofinhos. Eis que 2016 pela primeira vez trouxe não uma, e sim duas animações da Pixar: “DivertidaMente” e “O Bom Dinossauro”. E quase como se cogitasse que “DivertidaMente” seria um passo maduro demais para as crianças, decidiu fazer de “O Bom Dinossauro” um filme mais assumido para o público infantil.

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Porém, filmes infantis não precisam subestimar a inteligência emocional dos pequeninos e nem da criança que ainda há nos adultos, como o novo “Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, O Filme” consegue triunfar neste quesito. Já “O Bom Dinossauro” traz sim bons elementos, apesar de vários arquétipos antigos e reciclados, além de ótimas referências visuais ao cinema, como a esperta analogia dos personagens Tiranossauros Rex representando caubóis de velho oeste, ou mesmo os vilões que parecem tirados metaforicamente de “A Montanha dos Sete Abutres”. Sem falar na homenagem à “O Rei Leão”. Mas fica apenas na média em se tratando de uma junção referencial aos clássicos com a modernidade do que a história da Disney/Pixar ainda reserva para o futuro.

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Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3