O Contador

“O Contador” lembra incrivelmente um filme de origem de super-herói.

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18 de outubro de 2016

Talvez seja pela escolha do elenco, mas “O Contador” lembra incrivelmente um filme de origem de super-herói. Apesar de muitos considerarem esse gênero como uma espécie de praga na forma de fazer cinema e priorizar o lucro em Hollywood, a comparação aqui não se refere necessariamente à qualidade do filme, mas a sua eficiência em contar a origem de um personagem enquanto o protagonista tenta resolver um caso mais atual.

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O filme conta a história de Chris Wolff (Ben Affleck), um gênio da matemática, com certo grau de autismo e mais afinidade com números que com pessoas. Sua vida pacata parece se resumir a seu burocrático escritório de contabilidade, mas tudo não passa de uma fachada para seu verdadeiro trabalho: resolver os impasses financeiros das organizações criminosas mais perigosas do mundo.

Apesar de minha citação anterior aos filmes de super-heróis, talvez a melhor definição para Chris Wolff seja o de um anti-herói. O filme deixa isso claro na cena de abertura, ao sempre mostrar o protagonista de costas. A direção trás escolhas de enquadramento interessantes, como as opções por mostrar o protagonista através de janelas ou portas enquanto ele está sozinho. Isso causa uma sensação de isolamento e solidão maior do personagem. Já nas cenas de ação, a câmera se move de acordo com as ações do protagonista, mas mantendo o seu eixo centralizado, o que permite entender todas as sequências com clareza.

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A escolha de elenco é acertada – Ben Afleck faz um bom trabalho em um personagem com dificuldades de expressar seus sentimentos. Com ajuda da montagem conseguimos entender o que Chris está sentindo, mesmo sem a necessidade de palavras. Além disso, os cortes rápidos o tornam convincente nas cenas de ação. Outro destaque é o Jon Bernthal, que faz um personagem violento e intimidador, semelhante a sua composição ao encanar o Justiceiro na série Demolidor da Netflix. Temos ainda Anna Kendrick e o veterano J.K. Simmons, com um personagem aparentemente simples mas que, numa única sequência em específico, mostra que nem sempre é preciso que ele tenha um grande personagem para conseguir entregar uma grande atuação.

Sem nunca ser o foco principal do filme, a obra acaba tendo uma mensagem positiva a respeito da inclusão das pessoas com autismo. O filme se arrisca em algumas surpresas na trama, algumas bem óbvias, outras nem tanto, mas consegue entreter sem ser excessivamente simples. Apesar de abusar de algumas frases clichês, sobretudo no final, o saldo final acaba sendo bem positivo ao apresentar um dos personagens mais acidentalmente carismático e profundo dos filmes de ação dos últimos anos.

 

Festival do Rio 2016 – Panorama do Cinema Mundial

O Contador (The Accountant )

Estados Unidos, 2016. 128min

De GAVIN O’CONNOR

Com BEN AFFLECK, ANNA KENDRICK, J.K. SIMMONS, JON BERNTHAL


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