O Dançarino do Deserto

Filme é baseado na história real do dançarino iraniano Afshin Ghaffarian

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16 de abril de 2015

Em 1984, o cinema conheceu “Footloose – Ritmo Louco” (Herbert Ross), filme que conta a história de um adolescente que se muda para uma cidade interiorana onde o reverendo local instituiu que a dança é proibida, por ser considerada um grande pecado. Ao contrário da trama fictícia do longa que veio a se tornar um clássico, “O Dançarino do Deserto” é baseado na história real de Afshin Ghaffarian, um jovem iraniano que se rebelou contra as leis repressoras de seu país e criou uma companhia de dança clandestina para, mais tarde, apresentar uma performance no meio do deserto. Como no Irã é proibido dançar em público, os jovens deram um jeito de liberar o desejo de se expressar num submundo em plena cidade do Teerã: uma boate muito bem escondida, movida a música eletrônica, drogas e bebidas.

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Diretor estreante de longas-metragens, Richard Raymond utiliza um recurso temporal muito comum no cinema. Uma cena de apenas alguns segundos mostra o protagonista (Reece Ritchie, de “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo”) numa complicada situação nos dias atuais, para logo em seguida nos apresentar à infância de Afshin e sua paixão antiga pela dança. É neste primeiro ato de “Desert Dancer” (no original) que Raymond faz com que o público comece a se sensibilizar com a sua situação e a torcer pela vitória do futuro bailarino. O restante do roteiro, escrito por Jon Croker (“A Mulher de Preto 2: O Anjo da Morte”, ainda inédito), retrata a fase universitária de Afshin, quando ele faz amizade com jovens idealistas e os incentiva a aprender passos de dança a partir de vídeos do Youtube em aulas escondidas. É aí que a bela e misteriosa Elaheh, vivida por Freida Pinto (“Quem Quer Ser um Milionário?”), entra na trama para que haja inclusão de um romance e de mais um motivo de conflito entre os personagens. Filha de uma ex-bailarina, ela ensina passos de dança ao grupo e cria um frágil laço com Afshin.

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É nas cenas onde a dupla dança que consiste a maior beleza do filme, especialmente na apresentação clandestina, onde seus corpos parecem se fundir às areias do deserto e imitar seus movimentos com toda emoção e delicadeza que a performance exige. Em certos momentos em que baila, Afshin lembra o personagem de Irandhir Santos na cena mais marcante do poético “A História da Eternidade” (2014). O ponto fraco do roteiro encontra-se no excesso de clichês de gênero e na falta de equilíbrio entre a questão político-religiosa, a dança e o melodrama, onde a primeira é ofuscada pelos dois últimos, diferentemente do que ocorre no longa “O Último Dançarino de Mao” (2010), em que há um excelente equilíbrio entre os assuntos. Um tema, que é diminuído a quase somente cenas de violência física, de um país onde se expressar livremente ainda é sinônimo de ser reprimido merecia um destaque maior. Apesar disso, “O Dançarino do Deserto” funciona como entretenimento para quem procura emoção e um pouco de poesia.

 

O Dançarino do Deserto (Desert Dancer)

Reino Unido – 2014. 98 minutos.

Direção: Richard Raymond

Com: Reece Ritchie, Freida Pinto, Nazanin Boniadi, Tom Cullen, Akin Gazi,Makram Khoury e Marama Corlett.


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