O Duende Rumpelstiltskin

Montagem tímida que se assemelha a uma contação de histórias dos Irmãos Grimm

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09 de novembro de 2015

Baseado em um conto alemão coletado pelos Irmãos Grimm, e publicado no livro de Contos de Grimm em 1812, está em cartaz no Teatro Fashion Mall, no Rio de Janeiro, o espetáculo “O Duende Rumpelstiltskin” com adaptação de Daniel Porto e direção de Daniel Dias da Silva. O nome Rumpelstilzchen é de origem alemã Rumpelstilt ou Rumpelstilz era o nome de um tipo de duende, também chamado de pophart ou poppart que faz barulhos de chocalho em tábuas. O significado é semelhante ao rumpelgeist (“chocalho fantasma”) ou poltergeist, um espírito travesso que faz barulho e move objetos domésticos. Outros conceitos relacionados são mummarts ou bicho-papões que são espíritos domésticos travessos que se disfarçam. Na história original, para impressionar o rei, um moleiro muito pobre inventa que a filha é capaz de fiar palha e transformá-la em ouro. O Rei chama a moça, fecha-a numa torre com palha e uma roda de fiar, e exige-lhe que transforme a palha em ouro até de manhã ou terá sua garganta cortada (em outra versão, o rei ameaça trancar a jovem para sempre em uma torre). Ela já tinha perdido toda a esperança, quando aparece um duende no quarto e transforma toda a palha em ouro em troca do seu colar; na noite seguinte, pede-lhe o seu anel. Na terceira noite, quando ela não tinha nada para lhe dar, o duende faz a transformação em troca do primeiro filho que a moça desse à luz. O Rei fica tão impressionado que decide se casar com ela, mas quando nasce o primeiro filho do casal, o duende regressa para reclamar o seu pagamento: “Agora dá-me o que me prometeste”. A Rainha ficou assustada e ofereceu-lhe toda a sua riqueza, se este a deixasse ficar com a criança. O duende inicialmente recusa, mas por fim aceita fazer uma troca: a Rainha poderia ficar com a criança se ela conseguisse adivinhar o nome dele dentro de três dias. No primeiro dia, ela falhou, mas antes da segunda noite, o seu mensageiro ouve o duende a saltar à volta de uma fogueira e a cantar. Existem muitas variações da canção, mas a mais conhecida é: “Hoje eu frito, amanhã eu cozinho! Depois de amanhã será o filho da rainha! Coisa boa é ninguém saber Que o meu nome é Rumpelstichen!” Quando o duende foi ter com a Rainha no terceiro dia, ela revela o nome dele e o duende perde sua aposta. Na edição de 1812 dos Contos dos Irmãos Grimm, depois disto, Rumpelstichen foge zangado e nunca mais regressa. O final foi revisto numa edição de 1857 para uma versão mais macabra onde o duende, cego de raiva, bate os pés com tanta força que se parte em dois. Na versão oral, coletada originalmente pelos Irmãos Grimm, ele voa da janela numa panela.

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Os figurinos de Karlla de Luca são bem adequados à peça. Foto de Janderson Pires.

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Alexandre Lino se divide em cena entre o Pai e o Duende. Foto de Janderson Pires.

Na montagem atual de “O Duende Rumpelstiltskin”, podemos ver traços do original onde temos a personagem do pai, da camponesa e do Duende.  Nele, o Duende, que não pode ter seu nome revelado, se aproveita das fragilidades da jovem camponesa, e para ajudá-la, ele em troca pede que o seu filho lhe seja dado ao nascer. Para desfazer este juramento, a moça descobre uma brecha no contrato, que diz que ela pode desfazê-lo, caso descubra o nome complicado do Duende. O formato da peça, feito com dedicação e seriedade, é bastante simples e se aproxima demais de uma contação de histórias, do que de um espetáculo para o teatro. Embora haja um cuidado nos poucos elementos cênicos rústicos e artesanais – alguns funcionando apenas como fundo decorativo -, a história se dá basicamente no jogo de contar a história, e de uma mudança de personagem entre o Pai e o Duende, em uma manobra previsível e com pouca carga de teatralidade ou mágica cênica que possa explorar às ferramentas lúdicas que oferecem o teatro, como a iluminação, a sonoridade e a exploração da caixa cênica. A direção tem um rendimento regular, e parece apenas ter organizado os atores em cena, com marcas muito simples e pouco criativas. Tendo a peça também alguns problemas de fluidez e ritmo. O jogo proposto com a plateia é também ingênuo, pouco convincente e até mesmo desnecessário. O desfecho da peça também exagera no tom didático e educativo, ao ressaltar tanto em cena, como na fala do ator após o espetáculo, as supostas virtudes que o conto traz à família. Soa como que a plateia não tivesse absorvido com inteligência o mote principal que a história pretende contar. Os figurinos simpáticos de Karlla de Luca são adequados à época, a iluminação de ribalta de Paulo Emygdio deixa a peça quase que às escuras, onde seria necessário buscar um bom ganho de luz elétrica, apenas para podermos obter volume e contornos – mais definidos – das personagens em cena. Os atores Alexandre Lino (pai e Duende) e Natália Régia (camponesa) conseguem dar conta das suas personagens, com alguma falta de energia na atuação da camponesa, e alguns exageros na atuação do Duende.

 

SERVIÇO-

Reestreia: 17 de outubro – sábado às 15h

Temporada: até 29 de novembro (sábados e domingos às 15h)

Ingressos: R$ 60,00 inteira R$ 30,00 meia.

Local: Teatro Fashion Mall – Est. da Gávea, 899 – São Conrado.

Informações (21) 2422-9800

Gênero: Infantil

Classificação: Livre, indicado para crianças a partir dos 2 anos.

 Duração: 50 minutos

Capacidade: 280 lugares

Vendas: www.ingresso.com.br

Site: www.pecadoduende.com.br

 

FICHA TÉCNICA-

Autor: Daniel Porto

Direção: Daniel Dias da Silva

Elenco: Alexandre Lino, Daniel Dias da Silva e Natália Régia 

Direção Musical: Tibor Fittel

Cenografia e figurinos: Karlla de Luca

Iluminação: Paulo Emygdio

Preparação Corporal: Mariana Martins

Produção Executiva: Daniel Porto

Assistente de Produção: Paulo Amaro

Programação Visual: Guilherme Lopes Moura

Webdesigner: Mariana Martins

Assessoria de Imprensa RJ: Gabriel Mota

Produtores Associados: Alexandre Lino, Anna Sant’ana e Daniel Porto

Idealização e Realização: CINETEATRO Produções

 

 

 

 

 

 

Avaliação Ricardo Schöpke

Nota 2