O Filho de Joseph

Produzido por irmãos Dardenne, diretor de "La Sapienza" traz boa estranheza para o Festival, com metáfora bíblica

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17 de março de 2017

Para quem não conhece o trabalho do diretor Eugène Green, de “La Sapienza”, pode estranhar a direção de atores emulando um efeito plástico, quase como se recitassem as falas para a quarta parede.

Mas para quem embarcar no tom naïf e ao mesmo tempo de comédia ligeiramente de humor negro, conseguirá apreciar as analogias bíblicas feitas em capítulos a partir da discussão de paternidade através do conto do sacrifício do primogênito Isaac por seu pai Abraão e até analogia com Cristo…. O que não deixa de ser bastante interessante e marca uma identidade visual para o diretor, cujos filmes anteriores também faziam analogia com obras de arte.

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Tudo para falar de famílias partidas e amor não-sanguíneo na constituição psicológica social. Produzido pelos irmãos Dardenne, cujos realizadores belgas não traem sua personalidade cinematográfica ao abraçar a produção do amigo Eugène, pois os temas que versam sobre alienação familiar e a secura emocional dos novos tempos tem tudo a ver com obras como “A Criança” e “O Garoto da Bicicleta”. Vale menção honrosa pela escolha do garoto que protagoniza o filme, pois é o sósia exato da pintura de Caravaggio “O Sacrifício de Isaac”, além da participação especial do ótimo Mathieu Amalric, e a desperdiçada Maria de Medeiros.

Festival do Rio 2016 – Panorama do Cinema Mundial

O Filho de Joseph (Le Fils de Joseph)

França, 2016. 90 min

De Eugène Green

Com Victor Ezenfis, Natacha Régnier, Fabrizio Rongione, Mathieu Amalric, Maria de Medeiros

 

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3