O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos

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12 de dezembro de 2014

Igualmente dirigido, roteirizado e produzido por Peter Jackson, sua esposa e equipe, desde o início o presente crítico se pronunciou contrário à ideia da divisão de apenas um livro em três filmes na carreira de “O Senhor dos Anéis”. Vide o fato de que “O Hobbit” foi a primeira obra literária publicada por J. R. R. Tolkien em 1937, mais voltada para o público infanto-juvenil, como sua própria família. Só depois que decidiu expandir o universo e gerou a trilogia que hoje conhecemos como uma das mais bem-sucedidas adaptações cinematográficas, em crítica, público e prêmios (recorde de Oscar). As aventuras de Bilbo Bolseiro, tio do ora eternizado Frodo e o ‘Um Anel’, tinham a vantagem de serem menos adultas e, portanto, mais acertadas para recuperar o nostálgico espírito rejuvenescedor das ‘sessões da tarde’, como o fez com o primeiro “O Hobbit” nos cinemas. Mas encher linguiça para três filmes….

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Eis que o exemplar com mais licenças poéticas, pela ingrata colocação de meio da trilogia, quão grata surpresa que tenha superado incrivelmente o “Uma Jornada Inesperada”, logo o segundo “A Desolação de Smaug”, acrescentando personagens que não apareciam (Legolas) ou sequer existiam (Tauriel) no livro. Isso deu muito mais camadas, e possibilitou individualizar melhor as personagens do filme anterior, que afinal de contas eram muitas (13 anões + 1 hobbit + infindáveis coadjuvantes). Sem falar no dragão Smaug a roubar a cena na voz da franca ascensão de Benedict Cumberbatch. Porém, começando logo este terceiro “O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos” com o desfecho do dragão, para depois passar obviamente à história homônima do título, o filme esgarça todas as melhores e piores características das duas trilogias, como excelência técnica e grandiosidade cinematográfica de um lado, no entanto, desenvolvimento difuso, enrolativo, excessivo e reducionista na extremidade oposta.

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E aquilo que todos esperam? A famigerada batalha pelas Minas dos anões e todo aquele ouro, pelos quais se reunirão os tais cinco exércitos, com interessantes alianças e rusgas até bem engraçadas das diferentes raças da saga? Bem, de fato quando enfim se chega nisto, após metade da projeção das 2h20m, o desfecho da saga deu mil pés para trás, como regredir na evolução da maioria das personagens, relegadas de novo a cabides em cena, como se esvazia rapidamente por duas razões: a perda do foco do interessantíssimo dragão, e a introdução de inimigos para os quais já sabemos o desfecho com a trilogia principal. Não é agregado nenhum ângulo inovador, nem explicado nada relevante demais. Apenas um ar mais sério que o ar aventureiro dos outros dois, como se sentisse a obrigação em transformar a saga em novo épico. Talvez se baixasse a pretensão e só pensasse em fazer uma grande fantasia regada em adrenalina, manteria o tom certo, do contrário, temos em mãos uma mega produção de qualidades técnicas inegáveis, só que vazia. Sim, o protagonista anão-rei Thorin é o único bem trabalhado, com cargas trágicas shakespearianas, e o inglês Martin Freeman como Bilbo tem seus momentos nobres…, além do carisma do veterano Ian McKellen como Gandalf e o novato Luke Evans como Bard, o esforçado ‘substituto barato de Aragorn’. Tanto que sobra espaço para um mero coadjuvante menor, o alívio cômico Alfrid na pele de Ryan Gage, abrilhantar qualquer cena em que aparece muito mais do que o resto do elenco junto. Porém, o resultado do filme é este. Ligeiramente cansativo (mesmo sendo menor que os outros em tamanho), não inovador e de plástico, sem alma. Tudo isso dito por um crítico isento, mas admirador, que, ainda assim, não deixa de palpitar o coração quando vê seus heróis de infância na telona procurarem a nobreza e bravura por trás da honra.

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Excelente exibição em IMAX, recomenda-se, já o 3D, dispensável…

 


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