O Homem que viu o Infinito

Cinebio carregada de clichês e estereótipos com visão infantilizada de um gênio da matemática

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03 de outubro de 2016

Esta cinebio, inspirada na vida e na carreira do pioneiro da matemática indiana, Srinivasa Ramanujan, e seu mentor, o professor G. H. Hardy não consegue chegar aos pés do enorme legado deixado pelo matemático. O diretor Matt Brown, com apenas um longa em seu currículo, apresenta uma obra convencional e sem estilo, com a corriqueira visão estereotipada sobre o colonialismo inglês.

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Apesar de desconhecido pelo grande público, a trajetória do gênio autodidata indiano tinha um grande potencial dramático visto que sua tese contribuiu para desmontar a lógica racional da época. Mas o filme confere uma visão infantilizada sobre sua passagem pela Sociedade Londrina de Matemática e carrega em clichês corriqueiros para conduzir a identificação primária do espectador. Há uma grande necessidade de reforçar estes aspectos ao longo da projeção, transformando a trama em apenas uma disputa colonialista entre indianos e britânicos. O piloto automático é acionado e a história de um laureado acadêmico intelectual que revolucionou o mundo dos números é simplificada em um “calvário do herói oprimido pelo podre sistema”.

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A escolha do elenco enfatiza os estereótipos. O ator indiano Dev Patel (revelado em “Quem quer ser Milionário” de 2008 e que virou protótipo do gênio injustiçado) transmite uma enorme apatia canastrona, enquanto o inglês Jeremy Irons carrega na fleuma britânica em diálogos empolados e poses ensaiadas. A trilha e a fotografia seguem a linha geograficamente correta marcando as regiões matematicamente. Sem espaço para sutilezas “O Homem que viu o Infinito” (The Man Who Knew the Infinity no original) é um filme de fachada que desperdiça uma boa discussão sobre a fragilidade dos cálculos frente às emoções humanas.

 

O Homem que viu o Infinito (The Man Who Knew the Infinity)

Reino Unido, 2015. 108 min.

Direção: Matt Brown

Com: Dev Patel, Jeremy Irons, Malcolm Sinclair, Stephen Fry, Toby Jones

 

Avaliação Zeca Seabra

Nota 3