O Hospedeiro

Filmes do mesmo diretor de Parasita começam a ser muito procurados na rede e no streaming desde consagração no Oscar 2020

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06 de abril de 2020

Durante muito tempo “O Hospedeiro” de Bong Joon-Ho foi meu filme favorito do cineasta… E não tive a oportunidade de escrever sobre ele na época de seu lançamento. Mas o que já não foi falado sobre este clássico, ora disponível na #Netflix, do mesmo diretor da coqueluche “Parasita”, ganhador dos principais Oscar 2020, como melhor filme e direção? Então, gostaria de acrescentar a perspectiva de 2 fatores que me intrigam e me interessam mais do que nunca na mise-en-scène do cinema:

A questão de classes retratada esteticamente na sétima arte, cuja maior contribuição de “Parasita” já se encontrava no cult “O Hospedeiro”, que é a tridimensionalização da imagem através da questão do cheiro… O cheiro que separa as classes… “O Hospedeiro” trata isso com a localidade próxima ao rio, os esgotos para onde a criatura leva suas vítimas, perpassa a história também nas bombas de gás que intoxicam as manifestações, e até no final com o personagem extra do mendigo “embebido” em álcool que acaba sendo a purificação do monstro através da defumação em chamas…

E a segunda questão é a construção de cena em níveis e desníveis físicos, desdobrando até mesmo os 3 atos perfeitamente delimeados pelo movimento social de descer e subir as escalas, que Bong Joon-Ho também já havia usado em outros filmes, não só no “outro mundo subterrâneo” de O Hospedeiro, mas horizontalmente nos vagões de “O Expresso do Amanhã”, os diferentes territórios urbanos/artificiais versus naturais de “Okja” e etc…

Sem falar que é incrível ver as inúmeras matizes postas lado a lado com que Song Kang-ho evoluiu sua carreira como ator nos filmes de seu parceiro Joon-Ho. Ator assinatura do cineasta, existe algo de muito maleável na expressão cênica de Kang-Ho que trafega facilmente entre o melodrama, a comédia pastiche e até o horror, combinando muito bem com os vários gêneros de cinema com que o próprio Joon-Ho consegue costurar seus filmes de forma difícil de categorizar.

Este é mais um filme incrível que se encontra na #Netflix e que remete bastante ao clássico de Spielberg “Tubarão”, havendo também uma criatura que desestabiliza a própria organização social no macrocosmo a partir do núcleo familiar focado no microcosmo.