‘O Ídolo’

Baseado em fatos reais, longa estreia na próxima quinta-feira, dia 26.

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24 de janeiro de 2017

Uma guerra assola a Faixa de Gaza há muitos anos, cerceando a liberdade da população, não somente por razões políticas, mas também religiosas. Num cenário desolador, há quem sonhe com dias melhores e/ou com o mundo além da fronteira, onde possa viver a vida em sua plenitude. Foi o que aconteceu com Mohammed Assaf, vencedor do Arab Idol 2013. Sua trajetória é contada em “O Ídolo” (Ya tayr el tayer – 2015), uma das estreias desta quinta-feira, dia 26, mas em circuito reduzido.

Longa tenta levar para a tela a realidade imposta pela guerra e seu cenário de destruição (Foto: Divulgação).

Longa tenta levar para a tela a realidade imposta pela guerra e seu cenário de destruição (Foto: Divulgação).

Com direção de Hany Abu-Assad, que também assina o roteiro ao lado de Sameh Zoabi, este longa aborda o sonho de Mohammed Assaf (Kais Attalah – infância / Tawfeek Barhom – adulto) e sua irmã, Nour (Hiba Attalah), desde o início e sua quase desistência até a final do programa, fazendo um duro retrato da vida em Gaza.

Com isso, “O Ídolo” expõe o espectador à perda da ingenuidade infantil devido ao choque de realidade imposto pela guerra e seu cenário de destruição. Tudo isso é mostrado através do cotidiano de seu protagonista e amigos próximos, não apenas em relação à escassez de recursos e utilização de perigosos túneis que servem de passagem para o Egito – que proporcionam serviços clandestinos, como o delivery de um fast-food (Wac Donald’s, versão genérica da rede americana) –, mas sobretudo no que tange às circunstâncias com as quais crianças doces e sonhadoras se tornam radicais religiosos, ideologicamente alienados.

Tawfeek Barhom interpreta Mohammed Assaf, vencedor do Arab Idol 2013, na fase adulta (Foto: Divulgação).

Tawfeek Barhom interpreta Mohammed Assaf, vencedor do Arab Idol 2013, na fase adulta (Foto: Divulgação).

Apesar disso, em determinados momentos, “O Ídolo” assume um tom piegas e quase pueril ao apresentar a obstinação de Mohammed Assaf em burlar leis e participar do Arab Idol, visando à carreira de cantor também fora do programa. Isto faz com que a trama perca um pouco de sua consistência, tanto como biografia quanto como crítica.

Com uma maquiagem falha, que não acompanha o envelhecimento dos personagens ao longo dos anos, algo perceptível na mãe do protagonista, o longa ainda é irregular em seu elenco. Tawfeek Barhom não consegue assimilar as características de seu personagem com a naturalidade e espontaneidade exigidas. Isto se torna um problema porque Kais Attalah interpreta Assaf na infância com muita facilidade, causando um desequilíbrio à maneira com a qual o personagem é apresentado. No entanto, o grande destaque deste elenco é a menina Hiba Attalah. A jovem atriz funciona como condutora da trama, rendendo muito bem em cena, principalmente nas sequências em que a personagem se recusa a seguir as regras que lhe são impostas por ser uma menina.

“O Ídolo” é uma biografia que se rende a alguns clichês, tal como tantas outras, mas funciona ao usar a trajetória de Mohammed Assaf para explorar a realidade de um povo que vive numa zona de guerra, sujeito a todo tipo de adversidades em seu cotidiano. Mais do que isso, é eficiente ao transmitir à população de Gaza a mensagem de que é possível superar todos os obstáculos para realizar seu sonho, tendo como lema a frase repetida pela pequena Nour: “nós seremos grandes e mudaremos o mundo”.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 3