O INDIE comemora 15 anos da sua criação e exibe 65 filmes, de 21 países, entre retrospectivas inéditas, novos lançamentos e estreias nacionais

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24 de agosto de 2015

O festival INDIE criado em Belo Horizonte, em 2001, celebra sua 15ª edição de 3 a 9 de setembro. O INDIE 2015 exibirá 65 filmes, de 21 países, com entrada franca, e acontecerá nos cinemas Belas Artes, Cine Humberto Mauro e SESC Palladium.

O Indie 2015 tem patrocínio da Petrobras e Hospital Mater Dei é realizado através dos benefícios da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, e tem parceria do SESC MG.

O cinema contemporâneo está na Mostra Mundial que traz filmes de novos diretores, cineastas renomados e muitos lançamentos. O programa exibirá 25 filmes (23 fazem estreia nacional em BH), de 16 países, entre os muitos destaques, direto do Festival de Cannes: Cemitério do esplendor novo filme de Apichatpong Weerasethakul, e o romeno O tesouro de Corneliu Porumboiu. Outro destaque, uma homenagem a uma lenda, lançada no ano do  centenário de seu nascimento, Eu sou Ingrid Bergman de Stig Bjorkman.

A Mostra Mundial traz ainda dois filmes da Estônia: o premiado Na ventania de Martti Helde e Paisagem com várias luas de Jaan Toomik; do cinema japonês, sempre presente no Indie, os novíssimos filmes de Sogo Ishii (É isso), Nobuhiro Yamashita (La la la at Rock Bottom) e o documentário de Erik Shirai (O nascimento do saquê). Do cinema americano, o Indie exibe Tangerine de Sean Baker, lançado no Sundance e filmado com a câmera de um iPhone 5s; e ainda Para sempre no espaço de Greg W. Locke realizado com inacreditáveis 800 dólares; vale ainda ver Jason Schwartzman em Sete irmãos chineses de Bob Byington. A Mostra Mundial exibe também filmes dos consagrados Jem Cohen, Alain Cavalier, Hong Sang-Soo, Larry Clark, Peter Van Houten e Wang Bing.

A programação do INDIE em Belo Horizonte apresenta ainda dois programas dedicados ao cinema brasileiro. O Indie Brasil exibe seis filmes do cinema contemporâneo nacional: Asco, estreia do paulista Ale Paschoalini; A loucura entre nós, documentário da baiana Fernanda Vareille; My name is now, Elza Soares, da mineira Elizabete Martins Campos; O signo das tetas, o segundo filme da trilogia concebida por Frederico Machado; Sermão dos peixes, um documentário pessoal do diretor Cristiano Burlan; e Trago seu amor, uma ficção de Dellani Lima. Todos os diretores estarão presentes nas sessões de seus filmes e farão um bate-papo com o público após a exibição.

No ano passado, o Indie Brasil propôs para a sua programação um diálogo entre o presente e o passado do cinema brasileiro. Exibindo filmes novos com clássicos nacionais. Este ano, o Indie realiza a retrospectiva dedicada ao crítico de cinema e cineasta paulista Jairo Ferreira, que faria 70 anos em 2015. Em As invenções de Jairo Ferreira, que tem curadoria do jornalista Marcelo Miranda, serão exibidos nove filmes, entre curtas e longas, realizados entre 1973 e 1980, além de uma entrevista feita por Paulo Sacramento e Arthur Autran com Jairo em 1991.

Duas retrospectivas, inéditas no Brasil, trazem dois cineastas, com estilos cinematográficos distintos e únicos, nascidos na antiga União Soviética: Kira Muratova e Sharunas Bartas. Gerações separadas por 30 anos de história, ambos os diretores estudaram na VGIK – Instituto Estadual de Cinematografia da União Soviética, em Moscou. Kira Muratova, a cineasta viva mais importante do cinema soviético e pós-soviético, nasceu em 1934, no que hoje é considerado a Moldávia (região anterior da Romênia), o Indie trará 11 filmes (nove longas e dois curtas) com exibições em 35mm e DCP. Já do premiado diretor lituano Sharunas Bartas, nascido em 1964, o Indie apresenta oito longas, inclusive seu último Paz para nós em nossos sonhos lançado na Quinzena dos realizadores, no Festival de Cannes.

A edição mineira do Indie recebe ainda o pré-lançamento do Clássica. Dedicado aos filmes que marcaram a história do cinema e que são fundamentais para todos os cinéfilos, Clássica levará clássicos do cinema internacional ao circuito comercial do país. É uma parceria entre as empresas FJ Cines e Zeta Filmes. O Indie exibirá 8 ½ de
Federico Fellini, Morangos Silvestres de Ingmar Bergman, e de Werner Herzog Fitzcarraldo e Nosferatu – O vampiro da noite.

O Indie 2015 depois segue para São Paulo, cidade que recebe o festival há nove anos, onde acontece entre os dias 16 e 30 de setembro, exclusivamente no CineSesc. A edição paulista apenas não exibe os programas brasileiros – Indie Brasil e A Invenção de Jairo Ferreira – e o Clássica. A programação de São Paulo será divulgada dia 08 de setembro. O Indie 2015 em São Paulo é uma correalização da produtora Zeta Filmes e do SESC SP.

SERVIÇO

Belo Horizonte: 3 a 9 de setembro

Belas Artes Cinema (Sala 1: 138 lugares e Sala 2: 123 lugares) – Rua Gonçalves Dias, 1581 – Funcionários
Cine Humberto Mauro (136 lugares) – Av. Afonso Pena, 1537 – Centro
Cine SESC Palladium – (82 lugares) – Av. Augusto de Lima, 420 –  Centro
Entrada franca
(ingressos disponíveis nas bilheterias dos espaços 30 minutos antes de cada sessão)

São Paulo: 16 a 30 de setembro

CineSESC – www.sescsp.org.br
Rua Augusta, 2075 / Cerqueira César
Tel.: 3087.0500
Ingressos: R$12 (inteira), R$6 (meia), R$3,50 (credencial plena SESC)

Outras informações
http://www.indiefestival.com.br
twitter: @indiefestival
http://www.facebook.com/indiefilmfestival

IMAGENS PARA IMPRENSA: https://www.dropbox.com/sh/l8cinaf3p2s7ex5/AADiCddrcTY18R766OlJrCaRa?dl=0

As retrospectivas do INDIE 2015

O INDIE trará pela primeira vez ao país a retrospectiva inédita da diretora Kira Muratova, uma das mais importantes cineastas da arte cinematográfica da época soviética e pós-soviética. Kira Muratova nasceu em 1934 no que é hoje a Moldávia. Viveu em Bucareste na juventude, mas mais tarde, estudou na principal escola soviética de cinema: o Instituto Estadual de Cinematografia da União Soviética (VGIK). Lá dirigiu seus primeiros filmes Chuva de primavera (1958) e os dois subsequentes. Após se graduar na escola de cinema, Muratova muda-se para Odessa, onde passa a realizar a maior parte de suas obras (todas em diálogo russo). Sua carreira solo no cinema começa com Breves encontros (1967) e O longo adeus (1971). Ambos os filmes foram proibidos pelos censores soviéticos e Muratova fica proibida de filmar por vários anos. Sua situação muda em 1986 com o surgimento da glasnost e a supressão da censura. Kira realiza em 1989 Síndrome astênica que recebe o Urso de Prata, no Festival de Berlim. A obra de Muratova têm recebido atenção irregular fora da antiga União Soviética. Lá, porém, sua reputação é reverenciada: seus três últimos longas-metragens ganharam o Nika de melhor filme (prêmio de cinema nacional da Rússia) pela Comunidade dos Estados Independentes e dos Países Bálticos. Muratova anunciou que Eterno retorno realizado em 2012 será seu último filme. Ela reside atualmente na Ucrânia. O programa tem curadoria do crítico americano Aaron Cutler.

Filmes de O mundo de Kira Muratova no INDIE 2015:

2012 – Eterno retorno (Vechnoe vozvrashchenie), 114 min., DCP
2007 – Dois em um (Dva v odnom), 124 min., 35 mm
2002 – Motores de Tchekhov (Chekhovskie motivy), 120 min, 35 mm
1999 – Carta para América (Pismo v Ameriku), 20 min.,35 mm
1997 – Três histórias (Tri Istorii), 105 min., 35 mm
1989 – Síndrome astênica (Astenicheskii Sindrom), 153 min., DCP
1987 – Mudança de destino (Peremena Uchasti), 109 min., DCP
1979 – Conhecendo o grande e vasto mundo (Poznavaia Belyi Svet), 75 min., 35 mm
1971 – O longo adeus (Dolgie Provody), 97 min, DCP
1968 – Breves encontros (Korotkie Vstrechi)  96 min., DCP
1958 – Chuva de primavera (Vesennii Dozhd), 25 min., DCP.

Sharunas Bartas nasceu em 1964 na cidade de Siauliai, na Lituânia. Bartas se formou em cinema no VGIK – Instituto Estadual de Cinematografia da União Soviética, em Moscou, em 1991. Diretor, ator e produtor, Bartas fundou o estúdio Kinema em 1989 – primeiro estúdio independente da Lituânia. Seu primeiro longa, Três Dias recebeu menção honrosa do Júri Ecumênico e a menção honrosa do prêmio FIPRESCI na seção Fórum do Festival de Berlim, em 1992. Sua filmografia completa, que participou sempre dos principais festivais internacionais, com oito longas e um média, será exibida no INDIE, inclusive com o seu último filme Paz para nós em nossos sonhos lançado em 2015 na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes.

Filmes de Sharunas Bartas no INDIE 2015:

2015 – Paz para nós em nossos sonhos (Quinzaine des réalisateurs, Cannes 2015), 107 min, DCP
2010 – O nativo da Eurásia (Berlin Film Festival 2005), 111 min, 35mm
2005 – Sete homens invisíveis (Quinzaine des réalisateurs, Cannes 2005), 119 min, 35mm
2000 – Liberdade (Mostra de Venezia, Competição oficial), 96 min., 35mm
1997 – A casa (Un Certain Regard, Cannes 1997), 120 min., 35mm
1996 – Alguns de nós (Un Certain Regard, Cannes 1996), 105 min., 35mm
1995 – O corredor (Mostra de Venezia, Competição oficial, Prêmio FIPRESCI 1995), 85 min., 35mm
1991 – Três dias (Berlin Film Festival, FIPRESCI Award 1992), 75 min, 35mm
1990 – Na memória de um dia que se foi (Curta), 40 min., 35mm