O Jabuti e a Anta

Privilegiando um cinema direto em que a vida das populações que sofrem o impacto das construções de hidroelétricas é apresentada de forma afetiva e envolvente

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18 de outubro de 2016

A diretora Eliza Capai realizou em O jabuti e a anta (2016) um trabalho importante do ponto de vista das lutas ecológicas ao criticar a política energética centrada nas construções de hidroelétricas, obras de grande porte que causam impacto ambiental significativo. Em termos de conscientização em relação às políticas de meio-ambiente, o grande mérito do filme é de descontruir o senso comum de que as hidroelétricas produzem energia “limpa”. Para tanto, a diretora explora a relação entre as construções faraônicas desses empreendimentos e a grande seca que vem atingindo o país nos últimos anos. Além disso, ela acompanha e entrevista ribeirinhos que vivem nos arredores de Belo Monte, cujas falas evidenciam o cenário devastador.

Juarez Saw Munduruku, cacique da aldeia Sawré Muybu, que pode vir a ser alagada, caso a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós seja construída.

Juarez Saw Munduruku, cacique da aldeia Sawré Muybu, que pode vir a ser alagada, caso a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós seja construída.

Optou-se por privilegiar um cinema direto em que a vida dessas populações que sofrem o impacto das construções de hidroelétricas é apresentada de forma afetiva e envolvente, o que evidencia que se construiu uma relação mínima da equipe de filmagem com essas pessoas: riberinhos, pescadores, lideranças indígenas, ambientalistas que vivem e trabalham nas localidades atingidas.

Aldeia Sawré Muybu, próxima ao município de Itaituba, oeste do Pará, corre o risco de ser alagada caso a usina hidrelétrica de São Luiz do Tapajós seja construída. Índios que moram ali dizem que não vão sair.

Aldeia Sawré Muybu, próxima ao município de Itaituba, oeste do Pará, corre o risco de ser alagada caso a usina hidrelétrica de São Luiz do Tapajós seja construída. Índios que moram ali dizem que não vão sair.

O trabalho de registro imagético é competente com uma edição que valoriza a presença sutil das paisagens e das pessoas, principalmente quando alternadas com as fotografias, em sequencias de montagem dialética que apresentam didaticamente a catástrofe ambiental relacionada aos grandes empreendimentos hidroelétricos. Um filme que desperta questionamentos decisivos sobre o porquê da continuidade deste modelo de política energética.

 

Festival do Rio 2016: Mostra Première Brasil

O jabuti e a anta (O jabuti e a anta)

Brasil, 2016. 71 minutos

Direção: Eliza Capai

 

 


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