E para você, Cinema brasileiro é lixo?

O luxo do lixo e o lixo do luxo.

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01 de dezembro de 2019

Às vezes ainda aparece gente nas minhas páginas profissionais dizer que cinema brasileiro é “lixo” e que não deveríamos dar investimento/incentivo público para financiar esse “lixo”.

Peço vênia não só para discordar, como para provar o contrário. Não, nosso cinema não é “lixo”. Porém…, mesmo assim, até mesmo o significado de “lixo” pode ser relativo. Não precisaria nem citar a máxima “Lixo para uns, Luxo para outros”. Mas já que citei, assim como Glauber denominava nossa expressão anti-mercado de “Estética da Fome”, eu sinceramente vou até aceitar a alcunha de “Lixo” e agradecer por ela.

Se o nosso cinema é “Lixo”, é crítico, é reflexivo, é denunciativo, é também reciclagem, feito dos mínimos recursos reutilizáveis; é sobrevivente e guerrilheiro em meio a todo e qualquer ataque. Duvido que o cinema estrangeiro sobrevivesse tão facilmente a hecatombes nucleares como o nosso sobreviveu e continua sobrevivendo, e se transformando, e se reciclando eternamente. Lixo não é um adjetivo negativo necessariamente, como sempre nos ensinou a lição eterna de “Ilha das Flores”, reiteradamente eleito o melhor curta-metragem da história por inúmeras listas e coletivos/associações — e que completou 30 anos de seu lançamento agora em 2019. Vou deixar o filme responder por mim. São só uns 10 minutinhos, e talvez dê pra ajudar a repensar o conceito de “lixo” no cinema:

PS. Lixo é matéria-prima inesgotável por sinal, como diversas outras obras que passeiam pelo lixo de maneira transformadora, como “Lixo Extraordinário”, “Estamira”, “O Menino e o Mundo” e tantas tantas mais… Revejam seus conceitos sobre lixo, pois lixo descartável de verdade é muito do que Hollywood anda produzindo sem nem saber reciclar…Imagina quando estiverem cobertos até o pescoço e não tiverem mais como transformar o próprio estrume em arte ressignificadora.