O Mistério do Relógio na Parede

Novo filme dirigido por Eli Roth intriga, não empolga, mas cumpre seu papel

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22 de setembro de 2018

Após três anos da estreia de “Goosebumps – Monstros e Arrepios”, o ator Jack Black embarca em mais uma aventura mágica com doses de terror e humor, com mais um personagem excêntrico, mas dessa vez simpático e bem humorado. Baseado no livro homônimo escrito por John Bellairs, “O Mistério do Relógio na Parede” acompanha a saga de Lewis (Owen Vaccaro), um menino de de 10 anos que acaba de perder os pais e vai morar com seu tio Jonathan Barnavelt (Jack Black) na cidade New Zebedee, em Michigan. O que ele não tem ideia é que seu tio e a vizinha da casa ao lado, a Sra. Florence Zimmerman (Cate Blanchett), são feiticeiros e que ele vai viver aventuras até então inimagináveis.

Com roteiro de Eric Kripke, criador da série “Supernatural” e fã do livro de Bellairs (que foi sua maior inspiração para criar a série), o longa-metragem não traz nada de nada de novo no mundo cinematográfico: há uma grande inspiração no universo do bruxinho “Harry Potter”, além da adição de elementos de “Matilda”, “Goosebumps – Monstros e Arrepios” e outros filmes infantis, e certa semelhança com a macabra e polêmica animação da Disney, “O Caldeirão Mágico” (1985), no que diz respeito à mistura de elementos lúdicos e de horror, especialidade do diretor Eli Roth, criador de “O Albergue”, precursor do subgênero do terror torture porn. Estar à frente de um filme infantil é realmente algo inesperado e um novo caminho criado na carreira de Roth, que poderá desenvolver daqui para frente (ou não) um estilo próprio como Tim Burton.

“The House with a Clock in Its Walls” (no original) ganha pontos por tornar a parceria inusitada em cena entre Black e Blanchett algo natural e divertido, com ótima química, inclusive, com o jovem ator Owen Vaccaro, com quem passam a formar uma nova família bem fora do convencional. Por outro lado, Kyle MacLachlan (da brilhante série “Twin Peaks”) foi muito mal aproveitado como feiticeiro das trevas Isaac Izard, que retorna para terminar um plano maléfico inacabado à la Voldemort, que utiliza o relógio na parede do título, ao lado de sua esposa Selena (Renée Elise Goldsberry). A repetição de escatologias, como o leão-topiário defecando toda hora em lugares inadequados e as abóboras vomitando gosma de hum, abóbora, e a troca de ofensas excessivas entre Black e Cate, como recursos narrativos se tornam cansativos por repetição excessiva, mas é compreensível por ser algo que sempre faz as crianças gargalharem. No fim, “O Mistério do Relógio na Parede” é um bom terrir de aventura infantil para toda a família ir ao cinema comer pipoca – eficiente, porém facilmente esquecível.

 

 

O Mistério do Relógio na Parede (The House with a Clock in Its Walls)

Estados Unidos – 2018. 104 minutos.

Direção: Eli Roth

Com: Jack Black, Cate Blanchett, Owen Vaccaro, Kyle MacLachlan, Renée Elise Goldsberry e Sunny Suljic.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3