O Moço que casou com a Megera

A Cia de Teatro Medieval adota o minimalismo em sua nova montagem

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10 de dezembro de 2014

É muito importante registrar, em primeiro lugar, a importância e a relevância da Cia de Teatro Medieval no cenário carioca e brasileiro. Há quase 25 anos a Cia é uma das importantes referências de qualidade técnica e artistica no segmento da infância e juventude no país, com dezenas de prêmios conquistados pela qualidade de seu trabalho. Tendo a frente a autora e atriz Marcia Frederico, em conjunto com Heloisa Frederico e Marcos Edon, a Cia é, sem dúvida, um dos nomes de maior respeito em nosso teatro infantil e juvenil. A Cia de Teatro Medieval sempre foi reconhecida também pelo seu esmero na dramaturgia – através de farsas e contos medievais -, na sua estética visual refinada, e por suas produções caprichadas. Tê-los em cena, é sempre um sinal de que teremos um trabalho de grife na temporada carioca.

Marcia Frederico e Rogério Freitas em cena de O Moço que casou com a Megera

Marcia Frederico e Rogério Freitas em cena de O Moço que casou com a Megera

Na montagem atual da Cia “O Moço que casou com a Megera”, uma adaptação dos textos O Moço que casou com a Mulher Braba de Don Juan Manuel e a Megera Domada de William Shakespeare, escrita por Marcia Frederico, e dirigida por Fabiana Mello e Souza, nos deparamos com uma nova e bem-vinda concepção visual e de encenação teatral. Neste novo formato a Cia buscou a austeridade, e assim optou por uma encenação mais enxuta e contemporânea, onde temos como cenário, apenas uma mesa e 4 cadeiras, e alguns objetos de cena. A sua marca mais forte, que ainda permanece, das montagens anteriores é na direção de arte, na construção, dos bonitos figurinos de Heloisa Frederico. A dramaturgia de Marcia Frederico, apesar de bem enxuta – com apenas três personagens em cena e um Coringa -, privilegia como base as personagens e a trama central de A Megera Domada, e buscado alguns pontos de confluências com a “mulher braba”, justamente no que diz respeito ao seu gênio, aparentemente tão irascível e indomável. A novidade na busca por um teatro mais essencial, é bastante pertinente e merece elogios por afastar-se de uma perigosa zona de conforto, entretanto ao binômio austero e essencial se pressupõe um universo dotado de  qualidades e expressividades corporais, precisão gestual, e partituras cênicas mais bem definidas. Desta maneira, em que pese a boa atuação farsesca de todo o elenco (Márcia Frederico como a megera Catarina, Rogério Freitas como o pai preocupado, Marnei Kaufmann como o “domador” Petrucchio e Diego Braga como o dinâmico Coringa), o desenho de direção, e preparação corporal de Fabianna Mello e Souza, não consegue extrair o máximo dos atores, e preencher a cena de teatralidade, em volume, e como um todo, ficando a encenação no meio do caminho entre uma montagem mais despojada e uma concepção que tem um pouco de dificuldade em dialogar corporalmente com os tempos, lugares e espaços, de onde se passa a história da Megera que, devido ao seu gênio forte, não conseguia arranjar um marido, até aparecer Petrucchio e conseguir “domá-la”. Para isso, não contribui também a iluminação de Fábio Schuenke que não delimita os planos, e nem desenha a geografia espacial com precisão.

espetáculo O Moço que Casou com a Megera - foto Carmo Dalla Vecchia

O Moço que casou com a Megera investe no teatro mais essencial e com pouca cenografia e objetos de cena

Tenho certeza que o diálogo da ótima Cia de Teatro Medieval, com este novo formato estético proposto, um teatro mais minimalista, tem tudo para, em médio prazo, render bons frutos e boas montagens ao nosso teatro carioca. É muito bom ver surgir esta nova concepção teatral, e ousadia, em Cia tão tarimbada.

 


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