O Peso do Passado

Errar. Insistir. Acertar.

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11 de novembro de 2018

Errar. Insistir. Acertar. Esse é o caminho que muitas pessoas escolhem seguir. Após cometer graves erros no passado, talvez seja o único caminho possível para alguns. A busca por redenção sempre foi um tema recorrente no cinema, desde o cinema chanbara no Japão, até a jornada da Imperatriz Furiosa no mais recente Mad Max. E, para haver redenção, é necessário passar por essas três fases. É necessário errar, insistir e acertar.

Nessa nova obra da diretora Karyn Kusuma… Erin Bell (Nicole Kidman) é uma detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles. Há muitos anos, a jovem Erin infiltrou-se em uma gangue no deserto da Califórnia e a história terminou muito mal, causando danos psicológicos severos na sua vida. Agora, depois de uma pista cruzar seu caminho, ela vê uma chance de resolver seus traumas do passado e embarca em uma perigosa jornada em busca do assassino Silas.

Mas o erro e a insistência são mais que meras fases. Para errar e prosseguir lutando, é preciso ter resiliência. Para insistir tentando após cada fracasso, é preciso ter força. E tudo isso deixa marcas, todas visíveis no trabalho de Nicole Kidman e em sua maquiagem. O resultado é uma protagonista cansada, amarga, mas que ainda encontra forças unicamente para corrigir seus erros do passado.

O filme brinca com a linha de tempo, muitas vezes tentando confundir o espectador, e mostrando que o passado sempre está por ali, rondando. Com o passado sempre presente, é quase impossível ter uma cena sem um flashback contextualizando. Essa repetição do formato pode cansar depois de um tempo, mas se a própria protagonista está cansada, podemos passar por isso também.

A direção busca visualmente mostrar uma protagonista presa ao passado, como em uma das primeiras cenas em que a personagem reflete sobre seus erros olhando para o retrovisor de seu carro (quer um símbolo mais claro de reflexão sobre o passado que um espelho apontado pra trás?). Nesse retrovisor, estão algumas crianças debaixo de uma ponte escura, tentando fazer uma manobra de skate, errando diversas vezes, mas persistindo. Essa cena define a personagem e a sua busca.

A trama de investigação funciona a proposta de manter os olhos no passado, nunca ofendendo a inteligencia do espectador e, ocasionalmente, nos surpreendendo com algumas sequências de ação cruas e viscerais. Por vezes a história desvia da trama principal pra focar em um drama aparentemente paralelo, como na sua relação com sua filha. Entretanto, se lembrarmos que essa é uma história de redenção, percebemos que esse não seria um drama paralelo. Trata de evitar que as próximas gerações repitam seus erros. E talvez não haja redenção maior que essa.

 

Panorama Cinema Mundial

De  Karyn Kusuma

Com Nicole Kidman, Sebastian Stan, Toby Kebbell

Estados Unidos, 2018

123 min

Avaliação Gabriel Gaspar

Nota 4