O Poderoso Chefinho

Animação é uma tentativa da DreamWorks de chegar perto da Pixar que não é bem sucedida

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31 de março de 2017

À primeira vista, pode-se pensar que o novo longa-metragem dirigido por Tom McGrath (Trilogia “Madagascar” e “Megamente”) é uma releitura animada do clássico “O Poderoso Chefão”, mas não se engane. Baseado no livro infantil escrito por Marla Frazee, “O Poderoso Chefinho” trata da rivalidade entre irmãos de forma lúdica, com uma premissa um tanto absurda que de início causa certa estranheza, mas que acaba funcionando em parte. O primeiro filme da DreamWorks Animation deste ano conta a história de um bebê falante (lembra o bebê Herman de “Uma Cilada para Roger Rabbit”), que usa terno, carrega uma maleta misteriosa e chega à casa de Tim como seu irmão mais novo, gerando ciúmes no menino de 7 anos, que até então achava que tinha a vida perfeita com toda atenção e amor de seus pais. Só que o bebê tem a missão de salvar a Baby Corp, empresa onde os bebês que nascem adultos trabalham, do impiedoso CEO da Puppy Co, que deseja acabar com o amor dos adultos por bebês. Tim, então, une forças com o bebê para salvar seus pais e se livrar de vez de seu irmãozinho, mas o que parecia improvável acontece.

O roteiro de Michael McCullers (“Austin Powers” e “Uma Mãe Para o Meu Bebê”) faz de “The Boss Baby” (no original) uma espécie de mistura entre as recentes “Pets – A Vida Secreta dos Bichos” e “Cegonhas – A História Que Não te Contaram”, diferenciando-se pela inserção de elementos que tentam fisgar os adultos, uma tendência cada vez maior no meio onde a Pixar parece não largar tão cedo a liderança. Apesar de ser voltado para o público infantil, o filme faz referência e presta homenagem a uma lista extensa de clássicos do cinema, como “Mary Poppins”, “De Volta Para o Futuro”, “Uma Babá Quase Perfeita”, “E.T.” e “O Senhor dos Anéis”, além de ter covers de Elvis Presley indo para uma convenção como personagens pra lá de secundários. Tantas distrações no enredo que servem apenas como plano de fundo para o desenvolvimento da relação de Tim com o bebê. McGrath só peca em um detalhe: para conseguir embarcar nas piadas, o espectador adulto precisa entender bem o contexto, o que diminui o alcance das referências que aparecem muito rapidamente em cena.

As diferenças de visão da criança e do adulto e como a imaginação infantil é fértil são outros pontos interessantes de “O Poderoso Chefinho”. Em uma cena no quintal de casa, uma interação entre as crianças é mostrada de acordo com sua vivência e logo depois como os adultos a estão enxergando, lembrando as séries animadas “Os Rugrats” e “O Fantástico Mundo de Bob”. Há, ainda, uma crítica um tanto velada ao fato crescente de hoje em dia muitos casais estarem adotando bichinhos de estimação em vez de gerarem filhos, ao mesmo tempo em que é levantada a importância da família e de dar mais atenção aos filhos. Com algumas cenas mais longas do que precisavam e um 3D desnecessário, utilizado apenas para fazer alguns objetos pularem na cara do público, “O Poderoso Chefinho” é uma animação esquecível que tenta chegar um pouco mais perto da Pixar sem nenhum sucesso, mas que funciona como diversão para levar os pequenos ao cinema.

 

 

O Poderoso Chefinho (The Boss Baby)

EUA – 2017. 97 minutos.

Direção: Tom McGrath

Com: Tobey Maguire, Alec Baldwin, Steve Buscemi, Lisa Kudrow e Jimmy Kimmel.


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