O presente

Joel Edgerton debuta em logas metragens com suspense de qualidade

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03 de dezembro de 2015

Depois de dois curtas, Joel Edgerton, o detetive John Connolly de “Aliança do crime” (2015), filme mais recente do astro Johnny Depp, estreia nos longas-metragens com “O presente”, suspense psicológico que conta com as atuações do próprio Edgerton e, ainda, de Rebecca Hall (de “Vicky Cristina Barcelona”, 2008) e Jason Bateman (de “Juno”, 2007).

Na trama, Hall e Bateman interpretam Robyn e Simon, marido e mulher que acabam de adquirir uma belíssima residência. O acaso coloca Simon em contato com Gordon “Gordo” Mosley, personagem do próprio Edgerton, um sujeito obscuro que faz parte de seu passado escolar. No dia seguinte, o casal recebe um presente surpresa de Gordo e a presença do antigo colega vai se tornando cada vez mais frequente em sua residência. O convívio forçado incomoda e traz insegurança ao casal, além de fazer com que Robyn passe a suspeitar do passado de seu marido.

O Presente

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Ao longo do filme, fica evidente que a grande referência de Edgerton na construção de seu personagem é Robert De Niro em “Cabo do medo” (1991), citado claramente em uma das passagens da obra, mas a premissa de “The gift” (no original) é outra: “Atração fatal” (1987), de Adrian Lyne. A trama coloca Gordo como elemento estranho na vida de um casal aparentemente feliz. Essa presença faz eclodir uma série de problemas conjugais escamoteados pela nova casa, pelo sucesso profissional de Simon, pelo futuro promissor de Robyn e pelo desejo de constituir uma família. A obsessão quase voyeur de gordo, por sua vez, gera medo.

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A combinação desses filmes, dois clássicos do gênero, e desses elementos sugere um quadro de tensão crescente que conduza à catarse libertadora. A engenhosidade da narrativa proposta por Edgerton reside justamente no adiamento proposital desse momento, frustrando as expectativas do público, que é posto em dúvida quanto à identificação de um protagonista e de seu respectivo antagonista pela ambiguidade dos personagens. Mais do que cenas de vazão à violência inerente a todo ser humano, a obra prioriza os aspectos psicológicos do trio principal e a construção de um ambiente em que a incerteza das ações e intenções de cada um provoca letargia e expectativa quanto ao que há de vir em seguida.

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Apesar de algumas falhas de roteiro e de os personagens, por vezes, esbarrarem em determinados estereótipos, a narrativa funciona muito bem, sustentando o ritmo e o interesse do público até o seu desfecho, em uma rima visual que remete ao início do filme e sugere que Joel Edgerton tem futuro como diretor.


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