Mais uma chance de ver filmes essenciais que saíram do circuito

O site de exibição de filmes via streaming Filmmelier traz boas alternativas difíceis de se encontrar na web

por

20 de março de 2017

O site Filmmelier é uma alternativa ao Netflix e Amazon, com filmes mais alternativos e uma grande chance de (re)ver alguns filmes que passaram muito pouco nos cinemas ou mesmo que não podiam ser encontrados na web de alguma forma… Até agora!

http://www.filmmelier.com/lista/lancamentos-da-semana-de-17-de-marco

Alguns dos exemplares acrescentados no cardápio de março:

“O Presidente” – Filme IMPRESSIONANTE do mestre iraniano com a família mais linda do mundo, a de Mohsen Makhmalbaf (pai das também diretoras Samira e Hana Makhmalbaf).

975412

Uma coincidente analogia com nossa situação política recente, com a temeridade fugaz de formas de governo que podem levar o povo ao limite. Uma incrível química entre os atores principais, ironicamente uma criança (a esperança do futuro que pode ser falaciosa) e um idoso (a forma de governo retrógrada e obsoleta a se temer), na fuga desesperada de um presidente ditatorial derrubado com sua família, disfarçados em meio ao mesmo povo que oprimiu. Talvez seja a obra mais lúdica e abertamente alegórica desta genial família Makhmalbaf.

the-president-2014-fragman-mohsen-makhmalbaf_9244052-17600_1920x1080

“Invasão Zumbi”, de Yeon Sang-ho, ou no título original mais conhecido como “Train to Busan”:

348053

Esqueçam a palavra zumbi, o filme é uma aula de cinema, desde técnica a direção, numa fusão de gêneros entre catástrofe, crítica social, drama e ação épica. Além de incrível metaforização no desenvolvimento de personagem, usando cada arquétipo trabalhado para ironizar e subverter as regras e as relações políticas através do instinto de sobrevivência. Os zumbis são apenas uma força da natureza. Não os tema, tema o ser humano e a institucionalização de sistemas desumanizadores.

Invasao-Zumbi

“Sieranevada” do gênio Cristi Puiu que era um dos filmes que merecia a Palma de Ouro em Cannes no ano passado ao invés de Daniel Blake.

header

Um mosaico familiar genial em longos planos-sequências que desafiam os enquadramentos em planos incrivelmente estreitos de uma casa que confina as liberdades individuais. A sufocante interação consanguínea desafia a visão de mundo globalizado da Romênia atual, assim como uma Europa que envelheceu suas referências está para uma hereditariedade que subverteu a transcendência em nome da perda da identidade pró-capital. O desafio de retirar o protagonismo de quadro e passear com a câmera livremente entre cômodos claustrofóbicos metaforiza a perda de controle e centralidade, com humor, ironia cortante e muita bagunça… até chegar, enfim, o direito de servir a farta comida na mesa para os corajosos sobreviventes da reunião familiar antes de subir os créditos finais.

sieranevada09-0-800-0-450-crop

E o pictoriamente inventivo “Estados Unidos pelo Amor” de Tomasz Wasilewski

8890

Um filme coral que multipolariza a potência das figuras da mulher moderna através de 3 vizinhas numa comunidade estagnada da Polônia atual, com uma memória histórica recalcada na tragédia, que vence a idealização do amor romântico com que a mulher poderia ser vista e todas as 3 personagens assumem suas histórias com as próprias mãos. Destaque para a personagem mais velha, professora escolar desafiada pela anarquia juvenil, e sua obsessão narcisística pela vizinha mais bela através da qual ela rejuvenesce e se repotencializa com sororidade e a potência de se doar abnegadamente a sua semelhante. Sem falar nas cores dessaturadas da fotografia que reforçam a quebra e ironia na linguagem ultra romântica da narrativa clássica, pintando um forte tom de melancolia poética em se auto redescobrir no vazio. Delicada e tristemente bela esta crônica de dor catártica.

EUA_pelo_amor_breve_reservaculturalsp.jpg1_